Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

22 de abril de 2013

"Fantoches da meia-noite" de Di Cavalcanti



Obras de Di Cavalcanti em exposição até 15 de julho

A Casa Guilherme de Almeida recebe a exposição Fantoches da meia-noite com obras raras do renomado artista Di Cavalcanti.

O museu que funciona na antiga residência do poeta modernista Guilherme de Almeida abriga um importante acervo de arte e conta com diversas telas, desenhos e gravuras de Di Cavalcanti, amigo próximo de Guilherme e companheiro de atuação no movimento modernista de São Paulo. Coube a ele a criação da capa e ilustrações do livro de poemas A dança das horas, publicado por Guilherme em 1919.

Di Cavalcante relata seu primeiro encontro com o poeta: “Guilherme de Almeida não sabia, felizmente, da existência de meus versos, quando me deu a "Dança das horas" para ilustrar. Ele conta que a primeira vez que me viu, eu vestia uma elegantíssima roupa do Nagib e que minha palidez o impressionara. Também fiquei impressionado com a elegância de Guilherme. No Progredior bebemos o nosso feliz encontro. Com Guilherme eu fiquei sabendo o que era um poeta integral. E este poeta integral subiu pela mão da poesia, até a Academia de Letras!”

Mário de Andrade ao comentar, na revista Fon-Fon, a exposição que o artista Di Cavalcanti realizou em São Paulo em 1921, afirmou que “sobretudo brilhava essa extraordinária série dos Fantoches da meia noite..." Mais de 90 anos depois, a série de desenhos do célebre artista brasileiro mantém seu brilho, acrescido do atrativo de sua importância para a história do modernismo no país.  



O trabalho pode ser considerado um marco na trajetória de Di Cavalcanti: observa o pesquisador Sullivan de Almeida, ao produzir os Fantoches, Di realizou “uma ruptura com o estilo art nouveau, até então praticado pelo artista”.


O próprio Di Cavalcanti menciona os Fantoches ao relatar sua vinda do Rio a São Paulo, para inserir-se no ambiente modernista de São Paulo: “Saí da Lapa para a aventura da Semana de Arte Moderna em São Paulo, com o coração transbordado de aventuras amorosas, com a boca amarga de álcool mau e as mãos cansadas de desenhar o que eu via num mundo de Fantoches da meia-noite.”

A mostra apresenta 16 gravuras baseadas na vida boêmia do Rio de Janeiro do início século XX, levando em conta o processo de reurbanização da cidade e diversas mudanças sociais. Em cada desenho, é apresentado um personagem diferente da noite carioca.



A mostra foi motivada não só pela beleza da obra e por sua relevância na trajetória desse importante artista do modernismo, mas pela peculiaridade do exemplar que pertenceu a Guilherme de Almeida, hoje integrante do acervo do museu: suas estampas foram coloridas à mão por Di, tornando-o único.



Para melhor apreciação das gravuras, elas foram emolduradas com passe-partouts largos, de modo a gerar um espaço generoso entre elas, e distribuídas entre os andares térreo e superior do museu-casa. Uma oportunidade única de observar uma versão diferenciada do trabalho que é marco inicial do modernismo do artista e representou uma ruptura de seu autor com o estilo antes praticado.


Dados sobre o álbum Fantoches da meia-noite:

Publicação:
Monteiro Lobato & Cia. Editores – São Paulo, 1922.

Tiragem: reduzida, número não informado.

Exemplar do acervo da Casa Guilherme de Almeida: “fora de comércio”, número 39 (anotação manuscrita pelo autor), com intervenções de cor incluídas pelo artista.


Serviço

Fantoches da meia-noite

Quando:
Até 15/07/2013 - De terça-feira a domingo das 10h às 17h

Onde: Casa Guilherme de Almeida - Rua Macapá, 187 - S.P. - Fone (11) 3672-1391

Entrada gratuíta

http://www.casaguilhermedealmeida.org.br/


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