Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

19 de maio de 2014

Obras brasileiras em leilões em NY



Os quadros “Escada” e “O Violoncelista”, de 1951, Lygia Clark

Obras brasileiras têm maiores preços em leilões de arte da América Latina em NY

Uma escultura triangular em alumínio da artista brasileira Lygia Clark liderou o leilão latino-americano da Phillips, coroando uma semana de vendas de arte regional nas quais as obras brasileiras comandaram os maiores preços.

"Bicho Invertebrado", obra de 1960 de Clark, foi vendida por US$ 1,8 milhão de dólares em um leilão que produziu US$ 6 milhões.
 


"Bicho Invertebrado", obra de 1960 

"Ficamos animados com a forte resposta dos colecionadores", disse Henry Allsopp, diretor global de arte latino-americana da Philips, sobre o leilão, do qual também participaram artistas de Venezuela, Argentina, Chile, México, Porto Rico, Cuba e Colômbia.

Allsopp afirmou que a peça de Clark tinha sido prometida para uma retrospectiva da artista no próximo ano no Museu de Arte Moderna de Nova York.
Composta por seis triângulos articulados, a peça de Clark foi projetada para ser manipulada pelas pessoas para criar várias configurações.

Clark, que morreu em 1988, disse que fez cada uma de suas peças "Bicho" para parecer, via interação tátil, "um organismo vivo, principalmente uma obra ativa".


ARTE BRASILEIRA

A Phillips vendeu no ano passado outra escultura abstrata de Clark, em Nova York, por US$ 2,2 milhões, alcançando o mais alto preço no leilão por uma obra de um artista brasileiro.

A peça era de 1959, o ano seminal em que Clark e outros artistas brasileiros fundaram o movimento neoconcreto. Seu manifesto pede a interação das pessoas com a arte geométrica.

 
No leilão Phillips, todos os dez principais lotes eram de peças contemporâneas brasileiras, inclusive "Homenagem a Fontana I", de Nelson Leirner, vendida por US$ 359 mil dólares, um recorde para o artista.


 
"Homenagem a Fontana I"

Enfatizando a forte demanda por arte abstrata brasileira nos leilões de Nova York, a obra de 1964 de Sérgio Camargo "Sem Título (Escultura No. 21/52)", foi vendida por US$ 2,1 milhões na Sotheby's, um recorde para o artista.

As obras vendidas pela Christie's também bateram recordes para dois artistas brasileiros vivos, Abraham Palatnik e Tomie Ohtake.



Tomie Ohtake - 1979



Detalhe de ‘Sequência Visual S-51’ - 1960 - Abraham Palatnik

Explicando o sucesso das obras brasileiras, o chefe de arte latino-americana da Sotheby's, Axel Stein, disse: "Há um novo impulso no mundo de colecionadores brasileiros. Há mais conhecimento, há mais exposições, eles têm um forte mercado local".







 



14 de maio de 2014

SKY ART POR THOMAS LAMADIEU



SKY ART POR THOMAS LAMADIEU 


Você, andando pelas ruas de alguma metrópole, já olhou para o alto e percebeu pequenos espaços de céu, presos entre os edifícios? No meio de grandes centros urbanos, a quantidade de prédios é tão grande, que é difícil conseguirmos enxergar qualquer pedaço azul e branco do céu. Pois o artista francês Thomas Lamadieu observou esse cenário e a partir daí resolveu criar os desenhos que você verá a seguir.

Thomas intitula sua obra como “Sky Art”: ele fotografa um pedaço do céu, edita a fotografia para deixar a imagem rodeada de arquitetura, depois deixa a imaginação fluir e começa a desenhar personagens os encaixando no espaço. O resultado é bem divertido e demonstra o quanto a imaginação é importante para o ser humano. Como dizia Einstein, “a imaginação é mais importante que o conhecimento”.



Para qualquer um que tenha vivido ou visitado um pátio estreito envolto em edifícios que, por vezes, pode ser um espaço claustrofóbico com o céu limitado em todas as direções, mas as lacunas geométricas estranhas formadas pela arquitetura envolvente são muitas vezes divertidas para fotografar. Por exemplo, a diretora de arte Lisa Rienermann tornou-se famosa por seu premiado alfabeto formado a partir de letras manchadas no espaço entre os prédios. No entanto o artista francês Thomas Lamadieu usou os constrangimentos como inspiração para sua série de ilustrações imaginativa. Seria divertido ver diferentes artistas interpretando no mesmo lugar.
 

 
 


 


 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

9 de maio de 2014

Paisagem é redescoberta na obra de artistas contemporâneos

"Série Natureza" - Aquarela - Paulo Pasta

Mestres e alunos renovam gênero consagrado pelos holandeses com o olhar do século XXI

Nas culturas ancestrais, afrescos eram quase uma extensão da natureza. Mais tarde, a representação artística da paisagem passou pelo crivo da percepção social do mundo natural. Foi só durante o Renascimento que se tornou possível sua apreciação estética, abrindo caminho para os holandeses consagrarem a paisagem nos séculos XVI e XVII, ao estabelecer com ela um gênero independente da pintura. Essencial para o desenvolvimento do impressionismo e do romantismo, a paisagem quase morreu ao ser submetida pelos modernistas à ditadura da razão. Com o advento da arte conceitual, a natureza foi dominada pelos artistas da land art e novamente sumiu da tela, renascendo nas paisagens monumentais dos neoexpressionistas alemães como Anselm Kiefer, para ser posteriormente renovada por pintores como Gerhard Richter, Alex Katz e outros.


"Margarete" - 1981- Kiefer 
 
Sem título - 1987 - Gerhard Richter
 
No Brasil, uma nova geração de pintores de paisagem surge, renovando o gênero com o reforço de veteranos, um deles o pintor Paulo Pasta, mestre desses jovens que buscam na evocação da natureza menos uma correspondência naturalista e mais um compromisso ético com a pintura. Numa época dominada por imagens de segunda mão, nascidas do olho mecânico das máquinas digitais, a paisagem se torna, enfim, não o veículo de um sentimento nostálgico do mundo agrário, pré-moral, mas um sinal de mudança que aponta para o futuro.
 

Sem título - 2005 - Paulo Pasta

Beuys, em sua época, fundou o Partido Verde alemão e usou a arte para divulgar sua luta ambiental. Os novos “paisagistas” brasileiros não formam nenhum movimento ecológico ou político, mas estão mudando a arte em busca de um fundamento ético para o ato de pintar. Num ensaio visual para o número 14 da revista Serrote, publicada pelo Instituto Moreira Salles, o pintor Paulo Pasta chega a revelar que foi a pintura que o ensinou a ver a paisagem, e não o contrário.

Pasta cita o primeiro momento de sua carreira, em 1984, quando pintava os canaviais de sua terra natal, Ariranha, no interior de São Paulo. Era essa paisagem que tornava mais densa a sua relação com a pintura, não o registro do que via. “Ela constituía, de fato, minha ligação com o mundo”, admite. Um mundo, aliás, reinventado graças a essa pintura, capaz de torná-lo novamente fresco, original, depois de ser maculado pelo excesso de imagens da era digital.

"Série Canaviais" - 1984 - Paulo Pasta

A trajetória artística de Pasta é um pouco como a do pintor norte-americano Richard Diebenkorn (1922-1993), que oscilou entre a representação figurativa e o abstracionismo lírico, chegando à geometrização da paisagem na série Ocean Park. O matissiano Diebenkorn tentou captar a luz da costa oeste americana de forma antinaturalista. Já Pasta persegue uma luz outonal sem buscar o ideal pastoral da poesia clássica quando retrata paisagens do interior do Brasil. Desta vez, sem a cor desbotada do acadêmico Almeida Junior, pioneiro no tratamento da dura luz tropical e de temas regionalistas. Pasta não é um colorista nem um paisagista, mas quer ter uma relação mimética com a paisagem. É, antes, um artista imerso no ato de “reconhecer um elemento espiritual” na arte da paisagem – sem esquecer que não foi esse o gênero que o consagrou, mas uma pintura de vocação construtiva.

"Woman Outside" - Richard Diebenkorn

Coincidência ou não, muitos dos jovens pintores que despontam no cenário são alunos dele e se voltaram igualmente para a paisagem e o estudo dos velhos mestres da pintura: Lucas Arruda, Felipe Góes, Marina Rheingantz, Bruno Dunley e Rodrigo Bivar são alguns deles.
 
Felipe Góes, paulistano de 30 anos, começou há seis anos com uma pintura que não tentava esconder sua fatura. Passou depois para as paisagens imaginárias – “de lugares que não existem” – e chega agora à terceira fase, que chama de “dissolução” – da figura e da matéria, uma vez que usa tinta acrílica e guache, à maneira do holandês Bram van Velde (1895-1981). Van Velde, amigo de Beckett, usou a pintura como um instrumento de luta contra o próprio niilismo. Góes diz que o holandês soube encarar a “crise do pintar”, como Diebenkorn, outro de seus mestres, que, segundo Góes, “venceu a resistência do material”.

Pintura nº 138 - acrílica sobre tela - 2011 - Felipe Góes 
 
Sem título - litografia - Bram van Velde

O veterano Rodrigo Andrade, contemporâneo de Pasta que começou sua carreira no ápice da onda neoexpressionista, nos anos 1980, sabe o que isso significa. Na época, pintar era acumular matéria sobre a superfície da tela. Depois da 29.ª Bienal (2010), ele, ligado à abstração, não abandonou a paisagem. Passou a produzir pinturas que parecem fotos vista de longe. Contudo, a ilusão fotográfica desaparece conforme ele se aproxima da presença concreta da tinta. A purificação do campo visual no século 21 pode começar por aí.
 
Sem título - óleo s. tela - Rodrigo Andrade - 1985














7 de maio de 2014

Cem anos de Iberê Camargo


"Arte, para mim, foi sempre uma obsessão. Nunca toquei a vida com a ponta dos dedos. Tudo o que fiz, fiz sempre com paixão”. (Iberê Camargo, 1914–1994)

Centenário do pintor Iberê Camargo é celebrado com retrospectiva em SP

"Não há espaço para a alegria", escreveu Iberê Camargo em suas memórias. "Toda obra que tem algum significado tem raízes no sofrimento, nasce da vida que dói."

Esse drama todo, que o pintor dizia trazer na alma, está traduzido em suas telas carregadas de tintas. São composições pesadas, que afogam o traçado das figuras numa solidão azul e profunda.

Esse é o tom das comemorações de seu centenário. Camargo, morto aos 79, há 20 anos, nasceu em 1914 em Restinga Seca, no interior gaúcho. Estudou no Rio, passou uma temporada na Europa, mas voltou a viver em Porto Alegre no final de sua vida.

Uma série de exposições agora celebra a vida e a obra do artista, começando com mostra que está em cartaz na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

Em maio, uma megarretrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, vai reunir 145 obras de todas as fases de sua carreira, com ênfase nos últimos quadros que pintou, a chamada fase trágica do artista.

Isso porque os tons mais frios, de uma natureza menos exuberante e mais emudecida, como a dos pampas gaúchos, nunca saíram de seus quadros -uma obra que resiste a qualquer ideia de brasilidade ou idílio tropical.

Mesmo em suas primeiras pinturas, mais figurativas, a natureza não é representada em chave realista. É recriada em vórtices de cor que lembram experimentos das vanguardas europeias observadas por Camargo em viagens.


Desenho sem título de 1992 feito por Iberê Camargo com caneta esferográfica e nanquim.

Na mostra paulistana, será evidente como essas paisagens se dissolvem ao ponto de virar abstração plena, ou quase plena, já que contornos de alguns objetos aparecem aqui e ali como alicerces de algumas composições.

Entre eles as garrafas, que Iberê Camargo viu nas naturezas-mortas do artista italiano Giorgio Morandi, e os seus famosos carretéis, lembranças da infância que se transformaram em símbolo máximo de sua obra.

Mas Camargo se consagrou mesmo com suas estranhas figuras à beira da morte, que chamou de idiotas em várias telas, e seus ciclistas, nada mais que esses mesmos personagens que se deslocam sobre rodas rumo ao nada.
 
 
"São figuras sem rosto, ao mesmo tempo violentas, brutas e espessas", diz Luiz Camillo Osorio, curador da mostra no CCBB, em São Paulo.

"É como se ele transformasse o corpo decrépito em potência. A finitude é afirmada, não lamentada."
 

"Corpo feminino", obra consagrada no salão de Veneza

MORTALHA COLORIDA

Talvez fosse disso que Camargo falasse quando escreveu que em sua obra não criava "mortalhas coloridas".

Em vez de temer o fim, o artista parecia evocar uma morte gloriosa com todo o peso do mundo e uma certa fúria nos traços.

Nesse ponto, alguns biógrafos do artista já tentaram associar a indefinição de suas figuras ao fato de ele ter matado um homem durante uma briga. Na tentativa de defender sua secretária de um namorado violento, Camargo, que andava armado, acabou dando um tiro fatal nele.

Depois desse episódio e de um breve período na prisão, no começo dos anos 1980, ele deixou o Rio, onde morou boa parte da vida, e se isolou em Porto Alegre para pintar a fase trágica, que marca o retorno da figura humana a suas composições mais abstratas.

 
Fantasmagoria (1987)

Mas não é sobre a morte de alguém que fala o trabalho de Camargo. Na opinião do crítico Lorenzo Mammì, que organizou a mostra agora em Porto Alegre, Camargo fez de sua obra uma afirmação da pintura, uma linguagem que ele então sentia agonizar.

"Ele faz isso com uma pintura muito suja, sobreposta, raspada, quase vulgar", diz Mammì. "Tem a ver com a sua ideia de pintura como arte em decomposição, uma linguagem que vai se desfazendo."
Suas telas em convulsão, de camadas sobrepostas e traços erráticos, influenciaram toda uma geração de artistas que despontou nos anos 1980, com a reafirmação da pintura como técnica.

Nuno Ramos, um dos artistas que então descobriram Camargo, via em suas telas "algo pantanoso". "É a matéria que me atrai nele, uma coisa física", diz Ramos. "Iberê nunca acreditou na morte da pintura. Ele domina essa linguagem. É exuberante."
 

 
CEM VEZES IBERÊ

Porto Alegre:
 Mostra "Iberê Camargo: As Horas [O Tempo como Motivo]", com curadoria de Lorenzo Mammì, tem 22 pinturas e 26 desenhos do artista e está em cartaz agora na Fundação Iberê Camargo (av. Pe. Cacique, 2.000, Porto Alegre).

Em novembro, outra exposição no museu que leva seu nome vai reunir 20 artistas contemporâneos com obras que dialogam com Iberê Camargo.

São Paulo: Em maio, o Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112) inaugura megarretrospectiva com 145 obras de todas as fases da carreira de Iberê Camargo.
 

"Tudo te é falso e inútil III", (1992).

“ – Minha contestação é feita de renúncia, de não-participação, de não-conivência, de não-alinhamento com o que não considero ético e justo. Sou como aqueles que, desarmados, deitam-se no meio da rua para impedir a passagem dos carros da morte. Esta forma de resistência, se praticada por todos, se constituiria em uma força irresistível [...]


"As Idiotas", (1991).

"– O drama [...] trago-o na alma. A minha pintura, sombria, dramática, suja, corresponde à verdade mais íntima que habita no íntimo de uma burguesia que cobre a miséria do dia-a-dia com o colorido das orgias e da alienação do povo. Não faço mortalha colorida.

– Por que sou assim?
– Porque todo homem tem um dever social, um compromisso com o próximo.
– Não há um ideal de beleza, mas o ideal de uma verdade pungente e sofrida que é a minha vida, é tua vida, é nossa vida, nesse caminhar no mundo.
– Sou impiedoso e crítico com minha obra. Não há espaço para alegria. É difícil revelar o significado das coisas. O Homem olha a sua face, interroga-se e não sabe quem é".
 

"A Idiota", (1991)

"– Acho que toda grande obra tem raízes no sofrimento. A minha nasce da dor.
– A vida dói [...]”.




"As figuras que povoam minhas telas envolvem-se na tristeza dos crepúsculos dos dias de minha infância, guri criado na solidão da campanha do Rio Grande do Sul."












5 de maio de 2014

A polícia italiana encontra obras de Paul Gauguin e Pierre Bonnard


 
Quadros roubados nos anos 1970 são encontrados na Itália

A polícia italiana encontrou quadros dos artistas franceses Eugène-Henri-Paul Gauguin (1848 - 1903) e Pierre Bonnard (1867-1947) que foram roubados nos anos 1970 em Londres, anunciou o Ministério da Cultura da Itália.

Segundo o ministro Dario Franceschini, os quadros são "Fruits Sur Une Table ou Nature au Petit Chien", de Gauguin, avaliado entre 10 e 30 milhões de euros (entre R$ 31,22 milhões e R$ 93,67 milhões), e "La Femme Aux Deux Fauteuils", de Bonnard, cujo valor não foi divulgado. 


O ministro da Cultura italiano DArio Franceschini (à esq.) e o general Mariano Mossa revelam os dois quadros roubados em 1970

Os quadros foram roubados em 1970 da residência de uma rica família de Londres, Mark-Kennedy, cujos herdeiros têm o direito de reivindicar sua propriedade.

Segundo o ministro, a história da investigação que levou aos quadros é digna de um filme. Depois de roubados, foram esquecidos em um trem que viajava entre Paris e Turim. O pessoal da companhia ferroviária não se deu conta de seu valor e as obras acabaram leiloadas em 1975, em Turim, quando foram comprados por um funcionário da empresa Fiat.


De acordo com o general Mariano Mossa, que dirige o departamento de polícia responsável pelo patrimônio cultural, as duas pinturas foram recuperadas há cerca de um mês, na cozinha do funcionário, que as manteve por quatro décadas.
A história de como a polícia chegou a esta cozinha também é curiosa. Com fotos enviadas por especialistas à polícia e graças ao maior banco de dados do mundo de obras de arte roubadas, criado há 45 anos pela polícia italiana, os quadros - que não constavam do catálogo - foram descobertos a partir do cruzamento de catálogos oficiais, já que as obras apareciam nos de 1964, mas não nos anos a partir de então.


Dois artigos de junho de 1970 no New York Times e em um jornal de Cingapura nos quais o roubo era mencionado levantaram as suspeitas dos policiais italianos, que por anos levaram avante esta intrincada investigação.

Agora deve acontecer uma longa batalha judicial para estabelecer quem são os legítimos proprietários das obras, já que o operário siciliano as comprou de maneira legal.

Em janeiro, Mossa afirmou que "o volume de negócios gerado pelo comércio ilegal de obras de arte ocupa o quarto lugar em todo o mundo, atrás das armas, drogas e dos produtos financeiros". 

A obra de Gauguin (1848-1903) está avaliada entre 15 e 35 milhões de euros. Com o título Frutas na mesa ou natureza para o cachorrinho, o quadro, de 49 cm por 54 cm, foi pintado em 1889.
 

O ministro italiano da Cultura Fruits sur une table ou nature au petit chien, de Gauguin,

O outro quadro é a pintura "A mulher com as duas poltronas", de Pierre Bonnard (1867-1947), apresentado em uma coletiva pelo ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini.
 
La femme aux deux fauteuils, de Bonnard
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

2 de maio de 2014

Marcus Jansen pela primeira vez no Brasil



Marcus Jansen, um dos precursores do expressionismo urbano, expõe pela primeira vez no Brasil.
 
O artista americano Marcus Jansen participa da mostra “Veni Vidi Succumbe” pela primeira vez no Brasil. O artista que já teve obras exibidas em Nova Iorque, Milão, Paris, Londres e Moscou é ex-combatente da Guerra do Golfo e retrata o declínio do império americano apresenta trinta obras que retratam a aridez e a decadência das megalópoles.
 


A exposição por meio da reconstrução da paisagem urbana, busca mostrar através de diversos planos e perspectivas, os dramas urbanos paralelos, fazendo com que o espectador perca a referência a um espaço tradicional e sua consequente construção tridimensional. A curadora Dinah Guimaraens defende que as obras de Jansen remetem a características de vanguardas como Cubismo, Surrealismo e, principalmente, Expressionismo. “Essas marcas estão presentes no craqueamento de planos, uso de cores intensas em guache, colagens, que criam um ambiente onírico e surreal”.
 


Ainda de acordo com a curadora, o período em que foi membro do exército americano, de 1990 a 1997, marcou muito o seu trabalho. O nova-iorquino retrata o declínio de seu país enquanto “império” e realiza críticas aos símbolos mundiais de consumo, expondo a cidade sem sua tridimensionalidade, destacando aspectos despercebidos como objetos ou mesmo pessoas, as quais aparecem solitárias em megalópoles tão plurais, mas ao mesmo tempo tão individual.



O artista está animado e diz: “Eu e Roberta Britto nos conhecemos por intermédio da minha galerista de Naples, Lauren Greenough, há alguns anos. Aceitei seu convite porque acredito que, no Brasil, culturalmente e politicamente, as pessoas estejam em sintonia com a evolução global, assim como as artes contemporâneas estão em ascensão no país. Além disso, eu sempre quis conhecer o Brasil”. Um dos motivos da galerista Roberta Britto escolher abrir a série com Marcus Jansen, considerado um dos precursores do expressionismo urbano, está em dar acesso ao público às obras de um artista que já é conhecido e premiado internacionalmente, mas que nunca expôs no país.

Mais sobre o artista

Um dos projetos mais recentes do artista é o livro catálogo "The Art Album", publicado em Nova York, que traz uma tela de Jansen na capa da publicação. O catálogo possui telas de alguns dos maiores pintores contemporâneos do mundo como Chuck Close, Shepard Fairey, Daniel Richter, Takashi Murakami, entre outros.

Jansen também já teve sua obra analisada por críticos de veículos como Rolling Stone Magazine e
Vanity Fair, na Itália; na Arte Fuse, The New York Times e The Boston Globe, nos Estados Unidos, entre outros. Segundo o New York Times, Jansen foi contratado pela FIFA para criar uma obra que remetesse à Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. “O artista conseguiu retratar o esporte em uma selva de asfalto surrealista. Sendo que, mesmo sem ter vivido na África do Sul, conseguiu desenvolver uma obra que retrata o que sente sobre o país africano”.
 
Serviço

Exposição "VENI VIDI SUCCUMBE" de Marcus Jansen

Onde: Galeria Roberta Britto - Rua Oscar Freire, 562.
De segunda a sexta das 10h às 19h, sábados das 10h às 18h, e domingos das 14h às 18h - Fone: (11) 3062 7350
 
Quando: Até 11 de maio de 2014.

Quanto: Entrada gratuita

 
 
 
 
 
 
 
 
 

30 de abril de 2014

Burano a romântica ilha italiana


Em Burano, para manter o estilo arquitetônico único que a cidade possui, as casas são padronizadas e possuem somente dois ou três andares.

Conheça a romântica ilha italiana das casas multicolorida.

A apaixonante e pitoresca Burano é uma ilha de pescadores com dezenas de casinhas coloridas cortadas por estreitos canais. Pouco conhecida pelos turistas, a romântica cidade
é repleta de charme, história e cultura.

Localizada ao norte da Lagoa de Veneza, a cerca de 11 quilômetros da cidade, Burano chama a atenção por sua explosão de cores. Suas casas coloridas com portas e janelas abertas são protegidas apenas pelas cortinas que dão um charme ainda mais especial as residências. A pequena e aconchegante ilha possui uma população hospitaleira de aproximadamente 3 mil habitantes que é formada basicamente por pescadores, agricultores e rendeiras
 

Burano é uma cidade pacata e composta por pessoas simpáticas e canais encantadores.

O local é conhecido como a “Ilha colorida das rendeiras” devido aos belíssimos bordados artesanais que são produzidos na cidade desde o século XVI. Burano também é famosa por produzir as tradicionais máscaras do carnaval veneziano. Durante o dia, dezenas de mulheres ficam bordando na porta de suas casas dando um charme ainda mais especial a esta cidade que parece saída de um filme.


O local é conhecido como a “Ilha colorida das rendeiras” devido aos belíssimos bordados artesanais que são produzidos na cidade desde o século XVI.

Para manter o estilo arquitetônico único da cidade, as casas são padronizadas e possuem somente dois ou três andares. Na parte de baixo ficam a copa, a cozinha e o banheiro, enquanto no andar de cima estão situados os quartos. A única diferença entre elas são suas cores vibrantes que não podem ser repetidas na sequência. Burano é uma cidade pacata e composta por pessoas simpáticas e canais encantadores. Não há dúvidas que o grande diferencial da ilha são suas casinhas coloridas à margem do lago.

Uma antiga lenda tenta explicar o porquê de tantas cores. Segundo a história, no passado as casas eram pintadas de várias cores para que os pescadores pudessem avistá-las de longe e não se perdessem. Se esta história é verdadeira ou apenas uma lenda, ninguém sabe. A única certeza é que até os dias atuais os moradores de Burano mantêm a tradição de pintar cada casa de uma cor.

A gastronomia local também merece destaque. A dica é experimentar os tradicionais peixes e frutos do mar que estão sempre frescos e saborosos. Os restaurantes locais também mantêm o mesmo estilo romântico e único que faz de Burano um paraíso para os apaixonados.


Restaurantes locais de Burano, um paraíso para os apaixonados.

Burano parece saída de um filme. As crianças brincam livremente com suas bicicletas, a população é acolhedora e está sempre com as portas abertas. As casinhas coloridas à beira dos canais fazem da ilha um dos lugares mais coloridos e charmosos do mundo.


Burano parece saída de um cenário de filme

Como chegar

Há duas formas de se chegar à Burano. Quem optar ir de carro terá que cruzar a ponte de Mazzorbo e seguir a estrada até o centro da cidade. Já quem preferir pegar o tradicional Vaporetto (espécie de ferry boat local) terá uma viagem de 45 minutos partindo do centro de Veneza. O bilhete para o romântico passeio de barco custa US$ 6 por pessoa e é válido por 24h.

Quem quiser se hospedar na ilha de Burano não irão faltar opções para todos os gostos e bolsos. A encantadora cidade possui diversos hotéis e pousadas coloridos que colocam os turistas no clima da cidade. 

Sedução e encantos do vidro Murano 

Copiando as receitas do vidro oriental, tudo começou, ao que consta, na rica Veneza em 982 depois de Cristo. E desde o século XIII, antes mesmo que um decreto de 1291 proibisse a fabricação dos fornos na cidade, o artesanato do vidro foi deslocado para uma ilhota de nome Murano na laguna veneziana.

 

Fabricação artesanal de vidro em Murano, na Itália. O material é submetido a altas temperaturas e, em seguida, moldado ainda quente.

Material de antigas e incandescentes alquimias, o vidro Murano, duro e ao mesmo tempo frágil, com suas transparências, opacidades, craqueluras e diferentes coloridos, nunca deixou de seduzir e encantar as antigas cortes, a burguesia, os artistas plásticos e o olhar de qualquer comum mortal.

O vidro veneziano teve mecenas poderosos na Renascença, como as famílias Medicis, Gonzaga e Estes. E que o fato de grandes mestres da pintura como Caravaggio e Veronese terem, em suas obras, seguidamente mostrado vasos e outras peças de Murano, contribuiu para os ares de nobreza que ganharam esses objetos.
 
Natureza Morta - Caravaggio
 
É interessante descobrir logo em seguida que Vittorio Zecchin, diretor artístico da Cappellin-Venini& Cia., reproduziu, em 1921, os vasos ilustrados nesses quadros. Como os famosos Dodges venezianos, com mais que razão, tratavam de guardar a sete chaves o segredo das técnicas desenvolvidas na pequena ilha. De lá, peças das mais variadas formas, acabamentos e cores (o vermelho, por exemplo, era obtido com adição do cobre), partiam para as cortes imperiais europeias e para o mundo.
 

 
De Londres a Madri, de Istambul ao Cairo, não havia salão que se prezasse sem a presença imponente de um lustre de Murano. E muitas vezes, pérolas de Murano, as chamadas e coloridas murrine, foram trocadas pelo ouro. Na pequena ilha, apesar de um breve período de declínio quando a Republica Veneziana caiu em 1797, os fornos jamais se apagaram. Sua economia foi então salva pelas sucessivas Exposições Universais em que mestres vidreiros como Salviati, Barovier, Moretti e Seguso, ligados às famílias locais, se distinguiram e ganharam mercado.
 

 
Peggy Guggenheim, a americana que se apaixonou por Veneza e ali viveu, também cumpriu o seu papel. Convidava artistas de fora para explorar as possibilidades desse vidro tão especial. E mesmo hoje, após décadas do advento do plástico após a 2.ª Guerra, os fornos em Murano são desativados apenas em agosto, auge do calor na Itália.



Parte da sedução vinha do fato de o vidro Murano ser mais barato que o cristal de rocha e suas possibilidades de manejo e aparência, quase sem limites. A essa matéria composta de elementos pouco sedutores como o pó, a areia e os pigmentos que irão, por meio de uma operação química e de fusão, se transformar num material extremamente puro e atraente, basta, por exemplo, a adição de uma camada metálica para transformá-lo em espelho e, assim, termos replicadas, de forma movediça ou não, nossa imagem e fantasias.
 


Em Veneza, o Museu do Vidro de Murano é o segundo mais visitado pelos turistas, perdendo apenas para a Accademia. Dali e de outras muitas coleções públicas e privadas.
 
 
 
ASSISTA AO VÍDEO E VEJA O PROCESSO DE CRIAÇÂO DE UMA PEÇA DE VIDRO MURANO