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Sobre as Sombras na Aquarela
Tudo começou com as nuvens.
A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.
Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.
As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.
O Museu Guggenheim, em Nova York, reuniu obras monocromáticas que abrangem toda a carreira do gênio e mestre espanhol Pablo Picasso.
Em Picasso Black and White (Picasso Preto e Branco) - foram reunidas cento e dezoito pinturas, esculturas e trabalhos em papel, de acervos privados e públicos. Dessa lista, seis nunca foram expostas ou publicadas anteriormente, e 38 terão sua primeira apresentação nos Estados Unidos, todos produzidos entre 1904 a 1971.
Desde A passadora uma pintura a óleo de 1904, até O beijo, todo em cinza e negro, pintado décadas depois, a mostra foi organizada em ordem cronológica.
A passadora - 1904
O beijo Entre as obras reunidas está um esboço para o que talvez seja a obra mais famosa do mestre espanhol: Guernica.
A mostra enfoca o modo como o artista explorou, inventou e desenhou com o preto, o branco e o cinza durante sua carreira – mesmo nas obras mais expressivas, que abordavam atrocidades da guerra ou interpretações históricas vivas.
Um dos mais influentes artistas do século 20 e cofundador do movimento cubista, Picasso acreditava que a cor enfraquecia as linhas e estruturas de suas obras, por isso a tirou de cena, para realçar a estrutura e a autonomia inerentes à sua arte.
A exposição Picasso Black and White, está organizada em ordem cronológica e contará com um catálogo ilustrado completo para quem gosta de mais detalhes. Depois de Nova York, a exposição viajará para Houston, onde ficará em cartaz até maio de 2013.
Femme couchée lisant - 1960
Le charnier - 1944
A mostra fica em cartaz até o dia 23 de janeiro.
Informações.
Picasso Black and White
Solomon R. Guggenheim Museum - 1071, 5th Avenue, Nova York
De 5 de outubro de 2012 a 23 de janeiro de 2013
Horário: de domingo a sexta, das 10h às 17h45 e aos sábados, das 10h às 19h45. Fecha às quintas
Inspirada neste poema de Drummond e sentindo-me cada vez mais forte e confiante para seguir em frente no caminho da criação, deixando-me levar pelos sentimentos e ideias, surgiu o Momento Portas Abertas, composto por um poema e sete telas.
Momento
Portas Abertas
Despojo-me do receio Exponho meu sentimento Minhas verdades... Aprendi quem Sou e Creio No poder do pensamento.
Abro portas e janelas Minhas histórias... Razão e Emoção Retiro trincos e tramelas E vejo livre o meu caminho, O largo caminho da criação.
Muito se engana quem pensa que Inhotim é coisa só de gente grande. O instituto, que é um dos maiores centros de arte contemporânea do mundo, preparou uma intensa programação infantil para comemorar o mês das crianças.
Logo no dia 12, Dia da Criança, acontece uma encenação de "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá", único texto do escritor baiano Jorge Amado para os pequenos. Quem vai contar a história do gato que se apaixona por um passarinho é o Grupo Ponto de Partida, que chegou a apresentar a montagem para o autor.
Na época, Amado disse que a "emoção foi ver as imagens poéticas que criei tomarem corpo e saírem a brincar pelo palco, contando a história."
Além da peça, Inhotim traz também oficinas, dentre as quais uma em que as crianças constroem brinquedos a partir de sucata. Como acontece em muitas obras de arte contemporânea, os participantes serão convidados a utilizar madeira, tecidos e todo o tipo de material reciclável para criar o próprio brinquedo.
Embora seja um centro de arte, o instituto também é um jardim botânico. Por isso, atividades ambientais convidarão crianças a conhecer os animais que vivem no Inhotim, como o caxinguelê, o guigó, o tiú e a borboleta azul, todas espécies do Cerrado e Mata Atlântica, além, é claro, das plantas do lugar.
Como a arte contemporânea não poderia ficar de fora, uma visita temática especial mostrará o universo lúdico de artistas do acervo como Jarbas Lopes, Rivane Neuenschwander, Hélio Oiticica e Yayoi Kusama durante os fins de semana do mês de outubro.
Grupo de teatro mineiro Ponto de Partida
Vale conferir!
Gato Malhado e a Andorinha Sinhá Quando: 12/10, às 15h 210 ingressos serão distribuídos por ordem de chegada, 30 minutos antes da sessão. Máquinas de brincar - brinquedos de sucata Quando: 12 a 14/10, das 14h às 16h3020 vagas por dia. Inscrição na Central de Informações Criar e reutilizar - oficina de ecoavisos
Quando: 13 e 14/10, das 14h às 16h30
Estações do brincar - jogos artísticos Quando: mês de outubro, de terça a sexta, das 10h às 16h; sábados, domingos e feriados das 10h às 17h.
O Lúdico na Arte Contemporânea - visita monitorada Quando: finais de semana de outubro e na Semana das Crianças - 10 a 14/10, às 14h30
Onde: Inhotim (Município de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Acesso pelo km 500 da BR-381, sentido BH-SP ou pela BR-040, sentido BH-Rio)
Quanto: R$ 20,00 quartas e quintas-feiras; R$ 28,00 sextas, sábados, domingos e feriados (com direito a meia-entrada).
No dia das crianças o MCB apresenta Brasileirinhos 2, com Paulo Bira.
Paulo Bira e as canções inéditas de “Brasileirinhos 2” na segunda edição do projeto lançado em 2010 e indicado ao Grammy Latino.
Inspirado por poemas do escritor Lalau e pelas ilustrações de Laurabeatriz, o músico explora as sonoridades do Brasil, dedicando um som para cada bicho em um alerta sobre a extinção dos animais.
No mesmo dia, às 14h30, o Núcleo Educativo do MCB propõe a oficina “Bicho de fantoche, brincadeira de bicho”
Pais e filhos poderão criar e brincar com os bichos ameaçados de extinção que fazem parte do espetáculo “Brasileirinhos 2”.
Ouçam o trecho de uma das canções.
Sobre o Museu da Casa Brasileira
O Museu da Casa Brasileira é o único do país especializado em design e arquitetura e se tornou uma referência nacional e internacional nesses temas. Sua iniciativa mais conhecida é o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, que vem sendo realizado desde 1986 e está em sua 20ª edição este ano.
Para o público em geral, o que vem à mente quando se fala nele é a sua sede, numa localização privilegiada, uma mansão da década de 40, quase no cruzamento das avenidas Faria Lima e Cidade Jardim, um verdadeiro oásis no meio dos prédios da região, com seu jardim de 6.600 metros quadrados.
Integrante da rede de museus mantidos pelo governo estadual e vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, o MCB foi criado em 1970, com a denominação de Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro. Recebeu o nome atual em 1971, por sugestão de Sérgio Buarque de Holanda, quando era dirigido pelo historiador Ernani da Silva Bruno.
Em 1972 o Museu ganhou sua sede, a mansão em estilo neoclássico construída entre 1942 e 1945 para abrigar a residência do ex-prefeito de São Paulo (1934 - 1938), Fábio da Silva Prado, e sua esposa Renata Crespi Prado.
O projeto, do arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, reproduz as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis. Sua construção testemunha a expansão urbana da primeira metade do século XX em São Paulo, quando as elites paulistanas saíram do centro em direção aos bairros-jardins.
O casal viveu na residência durante 18 anos, e transformou-a num local de grandes recepções oficiais. Com a morte de Fábio Prado, sem herdeiros, Renata Crespi acabou por deixar a casa e em 1968 transferiu sua posse à Fundação Padre Anchieta. A Fundação, por sua vez, cedeu o prédio em comodato à Secretaria de Estado da Cultura.
A atual diretora, Adélia Borges, jornalista e curadora, assumiu o cargo em maio de 2003. Ela imprimiu um novo ritmo às atividades do museu, com a multiplicação das exposições temporárias, primorosas pela alta qualidade, trafegando entre o design erudito, o popular, e as diversas manifestações da arquitetura.
Museu Rainha Sofia expõe Encontros com os anos 30 e celebra 75 anos do Guernica de Picasso propiciando um encontro entre o visitante e a história
O Museu Rainha Sofia está comemorando, com uma grande exposição, o aniversário da obra Guernica que há 75 anos foi pintada por Pablo Picasso para lembrar o bombardeio da cidade em 26 de abril de 1937.
Guernica (detalhe) - Pablo Picasso
Encontros com os anos 30 é o título da mostra que reune a produção dos artistas em uma década convulsa, essencial para entender os anos que vivemos.
Inaugurada pela Rainha Sofia, é uma das mais importantes exposições da temporada para o museu, A mostra ocupa mais de 2 mil metros quadrados, onde podem ser vistas mais de 400 peças, muitas das quais proceden das mais importantes instituições e coleções de todo o mundo.
Além disso, 75% delas nunca foram exibidas antes na Espanha, como a pintura de Antonio Berni New Chicago Athletic Bilbao (1937), e a peça Combat des Princes Saturniens II, de Wolfgang Paalen.
New-Chicago-Athletic-Club - Antono Berni - 1937
Combat des Princes Saturniens II, Wolfgang Paalen.
A exposição pretende redefinir os parâmetros conceituais e históricos de um período fundamental do século XX, essencial para entender os anos em que vivemos; um período de conflito, ainda não suficientemente estudado, momento em que a arte e o poder se enfrentam e se apoiam.
Para Manuel Borja-Villela, diretor do museu, foi uma década de enorme intensidade e de grande criatividade.
Para mais informações sobre a mostra, acesse o site.
O Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia é um dos museus de arte moderna mais importante do mundo e no mês de setembro completou vinte anos.
O museu que compõe o Triângulo de Arte de Madri - o museu do Prado e o Thyssen-Bormemisza são os outros dois - leva em seu nome uma homenagem à Rainha Sofia, rainha consorte de Espanha e possui dois edifícios; um do século XVIII conhecido como Sabatini e o Nouvel que foi inaugurado em 2005. Os nomes de ambos estão relacionados com os sobrenomes dos arquitetos que os projetaram, embora o neo-clássico tenha sido desenhado inicialmente por José de Hermosilla.
Cronologicamente, a coleção é uma extenção do Museu do Prado e alberga mais de 16.200 obras que são do final do século XIX até a atualidade com peças de artistas do mundo inteiro. A obra Guernica, uma das obras mais conhecidas de Pablo Picasso, é sem dúvida a obra estrela do museu.
O extenso acervo conta com obras de inúmeros artistas, entre eles, Salvador Dalí, Joan Miró, Marc Chagall e Roberto Matta, entre outros.
El Gran Masturbador - Salvador Dali - 1929
Snail, woman, flower, star (mulher, caracol, flor, estrela) - Joan Miró - 1934
O Galo - Marc Chagall - 1928
Where Madness Dwells B. From the Cicle:The Blinding Exile - 1966
(OndeMoraLoucuraB. A partir doCiclo:The Blinding Exile)
Expoentes da arte contemporânea recebem destaque no Museu Afro Brasil
Na exposição, artistas contemporâneos recriam a imagem de Marilyn inspirados na sedução da estrela.
Compõem a mostra obras inéditas de artistas plásticos brasileiros como Nelson Leirner, Claudio Tozzi, e Helena Sardenberg, além de um trabalho do artista pernambucano Maurício Nogueira Lima (1930-1999) e serigrafias de Andy Warhol. Fotografias históricas, cartazes e objetos relacionados à diva também estão expostos sob a curadoria de Emanuel Araújo.
Um dos destaques do evento é o vestido-instalação Entre o amor e o pânico, da artista espanhola Maribel Domènech, que apresenta a gravação da música "Happy Birthday, Mr. President", cantada por Marilyn em 1962, durante a comemoração do aniversário do presidente americano John F. Kennedy.
Amor e o Pânico - Maribel Domènech
Sobre Marilyn Moroe
Marilyn Monroe atuou nos filmes: Como agarrar um milionário, Os homens preferem as loiras, O pecado mora ao lado e Quanto mais quente melhor, interpretação considerada como a melhor atuação da atriz americana, morta em agosto de 1962, vítima de overdose.
Cena do filme Quanto mais quente melhor Em 2012, completa-se 50 anos da morte da atriz.
Informações:
Até 31/10
Museu Afro Brasil - Av. Pedro Álvares Cabral - portão 10 - Parque Ibirapuera - Sul
O nome, as aventuras improváveis, (quase) tudo foi baseado na vida real.
Quando James Bond, o personagem, nasceu, um outro James Bond real já existia - e era bastante reconhecido em sua área de expertise: pássaros. Conforme contou o escritor Ian Fleming certa vez à revista The New Yorker, o personagem ganhou o nome mais maçante que existia, o de um ornitólogo americano, especialista em pássaros caribenhos e autor de um referencial guia de campo: Birds of the West Indies. Este era, a propósito, o livro preferido de sua mulher, Ann Charteris.
É provável que ao fazer a escolha Fleming jamais tenha imaginado que Sean Connery transformaria o nome em um dos maiores bordões que o cinema já produziu, Bond, James Bond, criado em 1953, depois de décadas de intenção de escrever um livro de espionagem baseado em suas experiências e observações. A saga rendeu bilhões. Cassino Royale, de 2006, por exemplo, é a 72.ª maior bilheteria da história e arrecadou US$ 594 milhões somente nos cinemas.
Já 007 - Quantum of Solace, de 2008, é a 76.ª e faturou US$ 586 milhões.
Todos os 12 livros foram escritos em Goldeneye, a lendária casa que Fleming comprou na Jamaica após ser dispensado da inteligência da Marinha inglesa. Para isso, tirava férias anuais de três meses, durante o inverno, garantidas por contrato pelo grupo Kemsley, que editava o jornal The Sunday Times, no qual coordenava a equipe de correspondentes internacionais.
Assim como o nome do protagonista, a grande maioria de suas características foi inspirada ou no próprio autor (como o apreço pelo golfe e a marca de produtos de perfumaria que Bond usava) e em seu irmão, Peter, que serviu na Grenadier Guards durante a guerra e, após o conflito, integrou operações na Grécia e Noruega.
A inspiração para criar as histórias também vinha de acontecimentos que o escritor presenciou ou dos quais tomou conhecimento enquanto estava na ativa. Em From Russia, With Love (Moscou Contra 007), por exemplo, a trama dos espiões viajando a bordo do Expresso do Oriente foi inspirada na aventura de Eugene Karp, adido da Marinha dos EUA e agente de inteligência baseado em Budapeste que, em fevereiro de 1950, embarcou no trem de Budapeste para Paris portando documentos obtidos por agentes americanos no Leste europeu.
Contrariando algumas opiniões que o desencorajaram a lançar suas histórias, as cinco primeiras aventuras de Bond foram grandes sucessos de público e crítica. O mesmo não se repetiu com as tramas seguintes, que sofreram duras críticas da imprensa. Mesmo assim, sua obra continuou sucesso de público e ainda hoje vende milhões.
A nova aventura. 007 - Operação Skyfall, que chega às telas de todo o mundo no dia 26 de outubro, será o primeiro filme da série a ser lançado no formato Imax. A trama estrelada por Daniel Craig traz, desta vez, o espião às voltas com uma operação malsucedida em Istambul.
Como também é tradição, o tema do novo longa foi gravado por um grande nome da música. Desta vez, a missão ficou a cargo da inglesa Adele e se chama Let the Sky Fall (Deixe o seu céu desabar) e a trilha sonora, gravada nos estúdios de Abbey Road, é de Thomas Newman.
A mais nova Bond Girl será a francesa Bérénice Marlohe, que interpreta a misteriosa Severine. Esta é a estreia da atriz no cinema, para conseguir o papel, ela não poupou esforços para contatar todos que tinham alguma ligação com o filme até encontrar a produtora de elenco, que a indicou para o diretor Sam Mendes e Craig.
Sobre o personagem James Bond
James Bond - 007. O espião mais famoso da ficção celebra este ano 50 anos de sua primeira aparição no cinema. Foi em 1962 que Sean Connery personificou a criação de Ian Fleming em 007 Contra o Satânico Dr. No. E uma lenda nasceu.
Cinco décadas e vinte e dois filmes depois James Bond se tornou não só sinônimo de ação como também mudou o modo do mundo encarar uma série cinematográfica, introduzindo elementos icônicos e uma dezena de novidades (as Bondgirls, os gadgets, as locações internacionais) que fizeram da marca 007 uma das mais valiosas e duradouras da história. Sem falar nos seis atores que tiveram a chance de dar vida ao espião e que se tornaram celebridades internacionais.
A receita do sucesso
O sucesso nas telas veio com uma receita simples, adaptada dos livros de Ian Fleming que já faziam sucesso, principalmente após o presidente americano John Kennedy, em 1961, ter listado Moscou Contra 007 dentre os melhores livros: um agente secreto com licença para matar, que se envolve com belas mulheres, as bondgirls, em lugares paradisíacos e combate vilões exóticos como Scaramanga, que tem três mamilos, em O Homem da Pistola de Ouro, ou Blofeld, o grande inimigo, que cuida de um gato enquanto planeja conquistar o mundo. Tudo isso embalado por canções de artistas como Tom Jones, Shirley Bassey, Louis Armstrong, Paul McCartney, Madonna e Tina Turner.
O espião também conta com aparelhos de última geração para completar as missões. Alguns reais, como a mochila voadora usada em Chantagem Atômica, outras criadas para o cinema, a exemplo do respirador aquático do tamanho de uma caneta do mesmo filme, que encantou os militares americanos ávidos para comprar o fictício apetrecho.
Aposta arriscada
O então desconhecido e rude Sean Connery não era a primeira escolha para interpretar o personagem. Roger Moore, que fazia sucesso com a série O Santo, e David Niven - o preferido de Fleming - eram os favoritos. Com a impossibilidade de ambos, Conneryfoi apresentado aos produtores, que enxergaram nele a essência de James Bond.
O diretor Terence Young, conhecido bon vivant e um dos responsáveis por moldar o personagem cinematográfico, ajudou o ator a se tornar mais refinado. Um dos desafios era fazer com que Connery se sentisse à vontade com os trajes típicos de 007. O ator então foi obrigado a dormir vestindo terno por alguns dias.
O esforço valeu a pena. Após a primeira aventura, Fleming se rendeu às qualidades do ator e o homenageou no livro Só Se Vive Duas Vezes (1964), dando ao 007 literário a naturalidade escocesa. Não é à toa que, após outros cinco atores interpretarem Bond, o mundo ainda o associa ao personagem.
Com Goldfinger (1964), o terceiro filme da franquia, a popularidade de James Bond foi às alturas. Nos Estados Unidos, a estreia do longa aconteceu na madrugada, com salas lotadas, algo inédito para a época.
Sempre atual
Depois de 22 filmes - com o 23º em vias de estrear, e seis atores interpretando o personagem no período, a longevidade da franquia se deve às constantes adaptações necessárias para cada época. Nos anos 60, a Guerra Fria estava no auge e 007 enfrentava comunistas e orientais. No final dos 70, Guerra nas Estrelas fazia sucesso no mundo. Bond então foi combater o mal no espaço em 007 Contra o Foguete da Morte - um dos filmes mais odiados pelos fãs.
Na década de 80, os terroristas começaram a aparecer nas tramas - os afegãos ainda eram amigos -, e a ideologia foi deixada de lado para dar lugar à busca pelo poder e dinheiro. A partir os anos 90, empresários megalomaníacos eram os vilões. Nos anos 2000, financiadores do terrorismo passam a ser os inimigos nº 1 do mundo. "A série não tem medo de mudar, de absorver novas influências e de se reinventar. Via de regra, isso funciona maravilhosamente".
Politicamente correto
Uma das transformações ao longo do tempo foi em relação ao cigarro. O vício foi abandonado aos poucos e, a partir ainda da era Roger Moore, que durou de 73 a 85, já era raro vê-lo fumando.
As bebidas alcoólicas também ficaram mais raras. A ponto dos atuais filmes, com Daniel Craig interpretando o personagem, terem o patrocínio da Coca-Cola Zero. Não basta salvar o mundo, 007 ainda deve se preocupar com açucar no sangue.
Vejam um pequeno trecho do filme Goldfinger com a trilha sonora de Shirley Bassey.