Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

23 de março de 2016

Expressionismo Alemão e o Expressionismo Abstrato


"Os grandes cavalos azuis" -  Franz Marc - 1911 - de Walker Art Center, Minneapolis.

Expressionismo alemão

O termo “expressionismo” foi criado por Herwath Walden, no ano de 1912. Walden era proprietário de uma progressista revista de arte alemã, Der Sturm (A tempestade). Os artistas expressionistas (muitos trabalhavam na Alemanha), queriam criar uma arte que confrontasse o espectador com uma visão mais direta e pessoal de seu estado de espírito.



O Expressionismo foi um fenômeno hegemônico cultural na Alemanha, presente nas artes gráficas, na pintura, na escultura, na literatura, no teatro, na música, na dança e no cinema, assumindo formas mais radicais onde a expressão do sentimento tem mais valor que a razão.

Como base para o entendimento do temperamento do homem nórdico. Iniciou-se como um movimento de revolta contra o Impressionismo Acadêmico, sendo no entanto, por oposição, uma extensão deste.



"Artillerymen" - Ernst Ludwig Kirchner - 1915

O expressionismo, como forma de arte representativa, possuía alguns elementos essenciais como distorção linear, reavaliação do conceito de beleza artística, simplificação de detalhes e cores intensas.



"Autoretrato" - Karl Schmidt Rottluff - 1914

Alguns artistas opunham-se à rigidez e repressão da sociedade moderna da época, como Erich Heckel, autor da obra "Dois homens à mesa", inspirado no romance "O idiota", de Dostoievski. Heckel, o artista, estava determinado a questionar as noções estabelecidas do papel mais amplo da arte. Para os expressionistas, o mal e o feio deveriam ser representados.





"Dois homens a mesa" - Erich Heckel - 1912

O movimento expressionista estava associado a dois grupos de artistas: um baseado em Dresden e outro em Munique (possuíam objetivos e influências em comum).



"A Ponte" - Die Brücke - (grupo artístico alemão - Dresden - inserido no movimento expressionista).



"O Cavaleiro Azul" - Blaue Reiter - (grupo artístico alemão - Munique - inserido no movimento expressionistas).

Os artistas queriam distinguir-se da sociedade urbana burguesa (da qual, a maioria se originou) e alguns passaram a viver em áreas rurais, levando uma vida comunitária, o que os levou a serem colecionadores e imitadores da arte folclórica alemã.


Paul Gauguin, foi forte influencia para a arte expressionista. No final do século XIX abandonou o uso de cores realistas e passou a representar as suas cenas, quase sempre imaginárias, com formas simples e amplas, o que viria a caracterizar a pintura abstrata.



"Autoretrato com auréola" - Paul Gauguin - 1889.

A arte da Renascença germânica também foi evocada. Artistas como Albrecht Dürer e Mathias Grünewald, se valeram muito do poder expressivo do preto e do branco, revigorando a técnica medieval de imprimir utilizando uma matriz de madeira. Karl Schimidt-Rottluff não se valeu apenas de técnicas de xilogravura, mas também de suas pesquisas sobre arte tribal e máscaras africanas.





"Auto-Retrato com Monóculo" - Karl Schimidt Rottluff - 1910

Vincent van Gogh e Edvard Munch também influenciaram os artistas expressionistas.


"A Noite Estrelada" - Vincent van Gogh - 1889


"O Grito" - Edvard Munch - 1893


Os pintores expressionistas se afastaram da sociedade convencional e rejeitaram a imitação cuidadosa da natureza em busca de algo mais profundo. Nietzsche - filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX - descreveu como “abundante em beleza, estranheza, dúvida, horror e divindade”.


"Igreja em Murnau" - Wassily Kandinsky - 1909


A arte expressionista foi reprimida pelos nazistas em 1933, quando estes chegaram ao poder, por considerarem-na “degenerada”. No início da década de 1930, o expressionismo influenciou muitos jovens artistas americanos.



"Cavalo na paisagem" - Franz Marc - 1910


Principais características estéticas do expressionismo Alemão


Contraste entre claros e escuros, enquadramentos enviesados, maquiagem carregada e exagero. A cenografia é mais importante do que a montagem e os cenários são irreais, com linhas fora de esquadro. Montagem acelerada, câmeras lentas, duplas exposições, simples ou múltiplas. Caligarismo (conteúdo mórbido), cenários estilizados e deformados. Realismo expressionista, ambientes naturais.


Sobre o expressionismo abstrato

O expressionismo abstrato também foi mencionado na revista "Der Sturm" para descrever as obras dos expressionistas alemães. Muito popular nos Estados Unidos, no pós guerra, o expressionismo abstrato exerceu influência sobre as artes em todo o mundo e colocou Nova Iorque no centro do mundo artístico, posição até então ocupada por Paris, na França.

Em 1946, o crítico de arte americano Robert Coates, usou o termo expressionismo para se referir às obras abstratas de um grupo de artistas americanos que estiveram na ativa entre as décadas de 1940 e 1960. Apesar dos americanos trabalharem com estilos diferentes, todos buscavam causar um efeito expressivo e emocional. Esses artistas trabalhavam principalmente em Nova Iorque e a exposição “Pintura e escultura abstrata na América”, realizada no MoMA de NY, em 1951, estabeleceu a reputação do movimento como uma importante força no mundo das artes.


"A Mulher I" - Willem de Kooning - 1950 -52


O expressionismo abstrato inspirou-se no surrealismo e buscou assimilar em suas obras as ideias psicanalíticas de Jung e de Freud, no que se refere ao mito, ao inconsciente e à memória.


Na década de 1940, o expressionismo abstrato ganhou força com o surgimento de dois estilos pictóricos mais abrangentes. O primeiro enfatizava a capacidade expressiva das pinceladas; eram pintores “de ação” e se inspiravam no automatismo espontâneo e sensitivo do surrealismo, buscando revelar verdades escondidas no inconsciente do artista. Não eram guiados por processos de tomada de decisão conscientes, expressando-se por meio de pinceladas amplas e gestuais.


"Mastros azuis: número 11" (pintura gestual) - Jackson Pollock - 1952

O segundo estilo era uma estratégia oposta à pintura de ação. Os pintores excluíam de suas telas elementos irrelevantes, fazendo com que o espectador pudesse saber que “está vivo na sensação do espaço completo”.


"Sem título" (Violeta, preto laranja e amarelo sobre branco e vermelho) - Mark Rothko - 1949

Alguns críticos declararam que as telas dos artistas, no contexto do expressionismo abstrato, tornaram-se “uma arena dentro da qual o artista podia agir”. Interpretando o ato da pintura como um drama psicológico. Harold Rosenberg, crítico de arte, promoveu, por sua vez, a ideia do “artista como um indivíduo”.


"Emerald Isle" - Hans Hofmann - 1959

O fim do expressionismo abstrato ocorreu devido ao confronto de valores artísticos e temperamentos dos artistas. Além disso, a nova geração encontrava-se impaciente em busca de novos e diferentes temas e contextos.



"Elegia à República espanhola, 108" - Robert Motherwell - 1965-67


Depois do declínio da abstração, na década de 1960, a pintura saiu de moda e outras estratégias artísticas competiam por atenção em um ambiente extremamente eclético. No entanto, no final da década de 1970, a pintura com o movimento neoexpressionista, que se caracterizava por obras que abordavam uma temática com frequência violenta, surge em telas grandes onde os artistas aplicavam a tinta com rapidez, de uma maneira intencionalmente grosseira. Também costumavam incluir outros materiais na superfície das obras, o que dificultava bastante a compreensão da imagem pintada.











9 de março de 2016

Guggenheim Museum NY


Guggenheim Museum - NY

O Guggenheim, na cidade de Nova Iorque, é mantido pela Fundação Guggenheim. Seu nome é em homenagem a Solomon Robert Guggenheim, grande magnata norte-americano, colecionador de arte,
criador do museu e da fundação. Nascido na Filadélfia, estado da Pensilvânia, viveu entre o fim do século XIX e meados do século XX.

O museu foi fundado no ano de 1937 e mantido, na época, apenas pela fundação Guggenheim com o objetivo de levar ao público todos os conhecimentos sobre a arte moderna e difundi-la com mais intensidade.


Solomon decidiu organizar um acervo que abrigasse obras abstratas e que representassem uma realidade singular e, para isto, fora guiado pela artista Hilla Rebay. Inicialmente, o colecionador mantinha sua coleção particular na suíte do Hotel Plaza, de Nova York, onde vivia. As primeiras obras a fazerem parte desde acervo particular, que posteriormente se transformaria num grande museu, foram as de Kandinsky, Rudolf Bauer e László Moholy-Nagy.



"Improvisation 28" - Vasily Kandinsky - oil on canvas - 111,4 X 162,1 cm - 1912 - Salomon R. Guggenheim Museum - NY


Idealizado e criado por Salomon, na década de 1950, com projeto do arquiteto americano Frank Lloyd Wright, o museu, que já abrigava um imponente e variado acervo artístico sobre arte moderna, deveria transpor através de sua arquitetura todas as transformações pelas quais as artes, em especial a moderna, haviam passado nos últimos 200 anos.



O Museu Guggenheim tornou-se famoso pelas linhas curvas da sua fachada, representando a arquitetura moderna em forma orgânica. Possui ambientes de espacialidades cheios de detalhes que estão presentes desde o piso de entrada até nas luminárias decorativas. A fachada do prédio, em si, é uma das obras arquitetônicas mais impressionantes e arrojadas do mundo.

O museu abriga importante coleção de arte moderna amealhadas pelo seu fundador e sua sobrinha Peggy Guggenheim no começo do século XX com um incalculável valor artístico e monetário.

Nos últimos anos de sua vida, Salomon Guggenheim dedicou-se, com exclusividade, a colecionar sua amada arte moderna.



"Tableau No. 2 / Composition No. VII - Piet Mondrian

As novas instalações foram entregues ao público em 1959, seis meses após a morte de Lloyd, que infelizmente não viu sua obra ser concluída.

O Guggenheim Museum está localizado em um dos mais importantes e charmosos endereços de Nova York, na 5ª. Avenida, esquina com a Rua 89, em frente ao Central Park.

Seu acervo conta com importantes obras de Picasso, Kardinsky, Monet, Katherine S. Dreier, Van Gogh e muitos outros.


Lee Ufan

Recentemente, numa política de expansão  internacional, foram criados o Museu Guggenheim Bilbao (Espanha), o Guggenheim Hermitage Museum, em Las Vegas (EUA), o Deutsche Guggenheim, em Berlim (Alemanha) e a Coleção Peggy Guggenheim, em Veneza (Itália). Está prevista, ainda, a construção de um novo polo em Abu Dhabi (Emirados Árabes), que será o maior museu da fundação americana, projetado pelo arquiteto Frank Gehry.

O museu foi designado, em 2005, um edifício do Registro Nacional de Lugares Históricos e, em 2008, foi reconhecido oficialmente como um Marco Histórico Nacional .


Atual exposição no Solomon R. Guggenheim Museum


Mostra em NY revela trajetória do Futurismo Italiano.

Umberto Boccioni - "State of Mind" - 1911


Futurismo é tema da exposição inaugurada em 21 de fevereiro, no Guggenheim.


A mostra “Italian Futurism, 1909-1944: Reconstructing the Universe” (“Futurismo Italiano, 1909-1944: Reconstruindo o Universo”) traz mais de 360 obras de 80 artistas, algumas expostas pela primeira vez fora da Itália.


Gino Severine - "Blue Dancer" - 1912

Em ordem cronológica, essas obras traçam a trajetória do movimento desde seu surgimento, em 1909, com a publicação do primeiro manifesto futurista de Filippo Tommaso Marinetti, no jornal francês Le Figaro, até o fim da Segunda Guerra Mundial.


Luigi Russolo - "Solidity of Fog" - 1912



Iniciado como movimento literário, o Futurismo logo se expandiu para englobar não apenas pintura e escultura, mas fotografia, cinema, publicidade, moda, música, teatro, arquitetura, cerâmica e outras manifestações, dentro do conceito de “obra de arte total".

A exposição fica em cartaz no Guggenheim até 1º de setembro de 2016.


Assista ao vídeo









2 de março de 2016

Marcel Broodthaers: "A Retrospective" no MoMA, NY



Sobre o artista Marcel Broodthaers

De nacionalidade belga, (1924-1976), dedicou-se à poesia até os 40 anos de idade e só então ingressou na área das artes visuais. Durante aproximadamente 12 anos, o seu trabalho manteve uma qualidade poética e senso de humor equilibrando o seu quadro conceitual. Em sua primeira exposição individual, o artista envolveu cópias não vendidas de seu mais recente livro de poesia, "Pense-Bête" (Auxiliar de Memória, 1964), em gesso, transformando-os em uma escultura. Trabalhava ao mesmo tempo com a poesia, escultura, pintura, livros de artista, gravura, e cinema, Broodthaers continuou inventando maneiras de dar forma material à linguagem.


De 1968 a 1972, o artista trabalhou no Musée d'Art Moderne, Département des Aigles (Museu de Arte Moderna, Departamento de Águias), um museu itinerante não dedicado ao seu trabalho como artista, mas ao papel da própria instituição e à função da arte na sociedade. O nome escolhido fez referência a um verso de poesia de Broodthaers, "O melancolia, Eagles castelo azedo". Criado em seu apartamento, o museu era composto apenas de cartões postais, apresentações de slides, engradados para transporte de obras e às vezes até caminhões estacionados na rua. Apresentando-se em locais diferentes, funcionou como uma instituição. O museu atingiu o clímax em 1972, com a exposição "Kunsthalle Düsseldorf", ("Figuras de Seção"), apresentando centenas de objetos de vários países e períodos diferentes que representavam as "Águias". Na frente dos objetos foi colocado um cartaz afirmando: "Esta não é uma obra de arte". Broodthaers encerrou o museu em 1972, quando expôs a "Documenta V" em Kassel.
 
Nos anos finais de sua vida, Broodthaers criou "décors", exposições unificando com certa frequência o trabalho passado com objetos emprestados para a ocasião.
 


Decor: "A Conquista" -  1975 - "Marcel Broodthaers: A Retrospective" - MoMA

Sobre "A Retrospective"

"A Retrospective", é o primeiro estudo abrangente da obra do artista a ter lugar em Nova York, reúne cerca de 200 obras, a maioria feita entre os anos de 1963 a 1975. Broodthaers reuniu obras fundamentais de todos os aspectos de sua arte ressaltando a complexa trajetória de sua carreira, que apesar de curta, provou ser extremamente influente para as futuras gerações de artistas.


"Instalação" - Marcel Broodthaers: "A Retrospective" - MoMA

Depois de se apresentar no MoMA, a exposição vai passar pelo Museo Nacional Centro de Arte Reina em Madrid, no mês de outubro de 2016, e no Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, em Düsseldorf, no início de 2017.
 

"Recreação" - Marcel Broodthaers: A Retrospective" - MoMA
 
A exposição foi possível graças ao importante suporte, um generoso financiamento fornecido pela Representação Geral do Governo de Flandres para os EUA. Da mesma forma, o seminário de acompanhamento contou com a colaboração do Fundo Annenberg Wallis do MoMA para a inovação na arte contemporânea, através da Fundação Annenberg.
 
Em 2011, o MoMA adquiriu a coleção "Daled", que define a arte conceitual americana e européia do final dos anos 1960 e 1970. A coleção trouxe para MoMA um agrupamento sem precedentes de mais de 60 obras de Broodthaers e um rico arquivo das coisas efêmeras e fotografias raramente vistas, tornando New York um novo centro para a apresentação e estudo da obra do artista.
 
Marcel Broodthaers: "A Retrospective" - MoMa, NY - em exposição até 15 de maio de 2016

 







24 de fevereiro de 2016

Ensaio fotográfico de Britt M "Retratos sobre o esquecimento"




Neta registra o cotidiano de esquecimentos da avó com Alzheimer em ensaio fotográfico.

Ser uma doença sem cura e sem explicação exata, torna o Alzheimer ainda mais difícil de ser compreendido. E é justamente neste cenário que o trabalho da jovem fotógrafa norueguesa Britt M. chama a atenção.

Com amor e sensibilidade, Britt M, registrou em um ensaio tocante os dias de luta e os momentos difíceis da vida de sua avó com a doença de Alzheimer. A fotógrafa eternizou o cotidiano para mostrar a transformação na vida da avó, que era uma pessoa ativa e forte, até que começou a perder a memória e veio o triste diagnóstico.




Com delicadeza, imagens mostram processo solitário de desconstrução da personalidade, causada pela doença.

Houve uma reviravolta na vida da avó. Ela iniciou um processo de esquecimento. No ensaio podemos ver através da fotografia como a neta consegue mostrar a escuridão, estranheza e solidão em torno de uma pessoa que deixou de ser quem era.



Com a doença, ela se esqueceu das atividades mais básicas, como se alimentar. Também não se lembrava do nome da neta. As fotografias mostram esse processo de desconstrução de quem ela era.




Em seu projeto, Britt M explicou: “Eu tinha uma avó que era sempre tão forte. Sempre tão assertiva e sempre tão contente. Eu tinha uma avó que viveu por mais de 20 anos após o falecimento de seu marido, que manteve suas rotinas normais, todos os dias. A avó, que tinha orgulho em se vestir bem, convidando pessoas para uma xícara de café e que regava seus vasos de plantas duas vezes por semana".


"Minha avó vestia malha em sua cadeira perto da janela, sempre usava chinelos dentro de casa e disse que fazia suas orações todas as noites, antes de ir para a cama sozinha. Então, um dia, eu tinha uma avó que não era forte, nem assertiva. Eu tinha uma avó que esqueceu de comer. Esqueceu-se de alimentar os pássaros. A avó ocasionalmente teve um tempo difícil para lembrar quem eu era".




"Mas, apesar do fato de que sua compreensão sobre o mundo estava indo embora, mesmo que sua memória estivesse desmoronando e os seus dias fossem mais cinza do que coloridos, ela ainda manteve as suas rotina".




Minha avó faleceu pacificamente, não muito tempo depois. Eu estava lá quando aconteceu. Esta é a minha representação artística do que parecia ver alguém tão perto de mim lutar com a escuridão, estranheza e a solidão de perder sua memória. Um retrato de como eles tentam desesperadamente segurar as poucas coisas familiares que deixaram, só para sentir como eram uma vez, mais uma vez”.

A representação artística da visão de Britt M. sobre a doença traz uma dosagem equilibrada de delicadeza e melancolia construída a partir da interação de personagem, objetos e cenários, características que podem ser vistas também em outros trabalhos da fotógrafa, divulgados no Instagram ou em sua página do Facebook.









17 de fevereiro de 2016

Coleção do Whitney Museum of American Art e Willem de Kooning




O Whitney Museum of American Art conta com mais de duas centenas de obras em exposição no sexto e sétimo andar representando parte do seu acervo.

Organizados em sequência cronológica, a apresentação é dividida em onze temáticas ou "capítulos". Cada capítulo leva o nome de uma obra, a qual incentiva o olhar do espectador e não de um movimento ou o estilo. A exposição elabora alguns dos temas, ideias, crenças e paixões que vem impulsionando artistas americanos em sua luta para trabalhar dentro e contra as convenções estabelecidas, muitas vezes envolvendo diretamente os seus contextos políticos e sociais. Obras de arte em todas as mídias são exibidas juntas, reconhecendo as maneiras em que os artistas desenvolveram vários modos de produção e dissolvidos os limites entre eles.


As obras em exibição refletem necessariamente recorde de aquisições e exposições do Whitney, que constitui uma espécie de memória e um coletivo que representa uma série de atitudes individuais, às vezes conflitantes, para o que a arte americana pode ser, dizer ou fazer em qualquer momento. Obras que raramente, ou nunca, foram mostrados aparecem ao lado de ícones amados como um desafio que está no cerne do compromisso do Museu em constante evolução e compreensão da arte americana.


No Whitney Museum, visitando o seu acervo, pude apreciar ao vivo obras de um dos meus artistas favoritos, o expressionista Willem de Kooning. Compartilho com vocês um pouco da sua vida e obras.



"Mulher de bicicleta" - 1952/53 - óleo, esmalte, e carvão sobre linho - 195 × 125 cm - Willem de Kooning


Sobre o artista - Willem de Kooning

Pintor norte-americano de origem holandesa. Um dos expoentes do expressionismo abstrato, particularmente chamado de pintura de ação. Nasceu em 24 de abril de 1904 em Rotterdam. Criado por sua mãe e padrasto, estudou na Rotterdan Academy of Finr Arts and Techniques, emigrou para os Estados Unidos em 1926, onde viveu como clandestino passando por um período de muita pobreza.

Em 1920 Willem trabalhou como assistente do diretor de arte de um departamento da Rotterdam Store. Foi um dos trinta e oito artistas escolhidos para desenhar e pintar 105 murais públicos na Feira Mundial de 1939 em Nova York.


Elaine and Willem de Kooning in studio, Parrish Art Museum

Aos 21 anos, em 1926, embarcou clandestinamente para os Estados Unidos. Instalou-se em Nova Iorque e viveu de pequenos expediente. Descobriu Greenwich Village, o bairro dos artistas, e ligou-se aos primeiros pintores abstratos americanos, decidindo, em 1935, dedicar-se inteiramente à pintura. Suas telas abstratas e figurativas sofreram influência do cubismo e do surrealismo de Picasso.


"Mulher sentada" - 1940 - óleo s canvas -  137 x 91 cm - Philadelphia Museum of Art

Na década de 30 adota diversos estilos simultaneamente, entregando-se à experimentação com grande vigor. Com pinceladas violentas, produz composições geométricas. Em 1937, juntou a partícula "de" ao seu nome para o tornar mais acolhedor e em 1938 começa a pintar formas masculinas e quadros abstratos coloridos. Em 1942 tornou-se amigo de Pollock em Nova Iorque.


"Pink Angels" - 1945 - óleo s. canvas -  Frderick R. Weisman Foundation - Los Angeles - CA.

Em 1947 conheceu Arshile Gorky, com quem partilhou um atelier e, tal como ele, se interessava pela pintura abstrata mais que pela figurativa. Ambos foram inspirados por Joan Miró e Pablo Picasso. Em abril de 1948 expôs pela primeira vez sozinho, na Charles Egan Gallery e passou a ser considerado, ao lado de Jackson Pollock, o líder da nova corrente, o expressionismo abstrato.



Sem título - 1949 - esmalte preto s. papel - 55.6 x 75.9 cm - Museum of Fine Arts - Boston

Em 1950 criou a pintura de grande formato "Escavação", alguns críticos consideraram a mais importante obra do artista. A tinta jogada sobre a tela, a justaposição de várias cores que destoavam entre si, a manipulação dos tons e a herança expressionista foram o que De Kooning usou para desintegrar a realidade – que nunca se apagou totalmente. Suas obras primavam pela emoção e movimento.


"Escavação" - óleo s. canvas - Isola di Rifiuti

Nessa mesma época lançou uma série sobre as mulheres intitulada "Women", que mostra formas femininas em pinceladas frenéticas, onde representou a atriz Marilyn Monroe, entre outras. 

Sua obra, "Mulher 1", a mais conhecida, é um mosaico de cores fortes, densa, que estuda a mulher. O rosto anguloso, os olhos repuxados, dentes ferozes, curvas destituídas de sensualidade, são de uma mulher que se posta entre o abstrato e o figurativo. Parecem representar tanto a reverência quanto o medo que o poder feminino infundia no inconsciente do artista. A telas dessa séria foram meticulosamente planejadas. O público estranhou o aspecto grotesco das representações femininas e a crítica reprovou a inclusão de elementos figurativos na arte abstrata. De Kooning trabalhou formas angulosas e bruscas, oferecendo um berrante contraste com a representação sensual e deificada, na arte tradicional, da figura feminina.


"Mulher 1" - óleo s. canvas - 1,47 x 1,92 cm - Museum of Modern Art - New York 

O artista causou polêmica com a série "Mulheres", e justificou-se: "Alguns artistas atacaram-me por pintar mulheres, mas eu acho que isso era problema deles, não meu. Não me sinto como um pintor não-objetivo".

A série seguinte foi sobre os negros dos Estados Unidos e novamente suas obras chocaram o público. Começou-se a falar também do "rosa de Kooning".


Sem título - 1948 - esmalte e óleo s. linho

Em 1961 instalou-se em um grande atelier, em East Hampton. Recusou categoricamente pertencer ou ser afiliado a movimentos artísticos, porém, é catalogado como artista do expressionismo expressionismo abstrato.

Em 1963 De Kooning mudou-se para Long Island onde houve seu declínio criativo. O artista não abandonou a pintura, mas começou a trabalhar com esculturas em Roma, no ano de 1969, época em que executou suas primeiras figuras trabalhadas com argila e fundidas em bronze.




Sem título - 1972 -  bronze com patina marrom - 376 x 641 x 203 cm - Matthew Marks Gallery - NY

Willem de Kooning morreu em 1997, em East Hampton, Nova York, sendo diagnosticado com o mal de Alzheimer. Em 2012 teve uma retrospectiva no MOMA, em Nova York.















16 de dezembro de 2015

Joan Miró: vida e obra




Joan Miró nasceu em 1893, na cidade Barcelona, e foi criado por uma família de artesãos. Apesar de demonstrar seu gosto pela pintura desde cedo, foi pressionado a entrar para uma carreira burocrática, o que lhe trouxe grandes problemas e em pouco tempo de trabalho, ao se ver preso a uma atividade monótona enquanto o país efervescia em correntes artísticas, Miró entrou em profunda depressão agravada por um ataque de febre tifoide.

O artista precisou de ajuda médica para voltar à atividade, mas foi o impulso necessário para largar tudo aquilo que lhe retirava o prazer de viver e entrar de vez para as artes.
 
Cursou a Escola de Belas Artes de Barcelona e a Academia de Gali. Joan Miró teve aulas com Francisco Gali, que lhe ensinou tudo sobre as escolas de arte moderna de Paris, lhe introduziu ao mundo da leveza bizantina nas igrejas da Catalunha e à arquitetura de Antônio Gaudí.


"O Carnaval de Arlequim" - 1924 - óleo s. tela

Apesar de ser reconhecido como pintor, Miró também se dedicou à obras em cerâmica e teve influência do dadaísmo, fauvismo e cubismo durante sua vida artística.


"Mulher" - Joan Miró

De 1915 até 1919, trabalhou em Montroig, cidade próxima a Barcelona, pintando paisagens, retratos e nus, mas foi em 1919 que sua vida mudou, quando se transferiu para Paris e dividiu sua vida entre Espanha e França.


"Retrato de V. Nubiola" - 1917

Joan Miró: vida do artista

Joan Miró, na França, foi amigo de Picasso, que o ajudou em suas pinturas, mas na época Miró não conseguia vender suas obras e estava sempre com suas economias no limite. Seus pais enviavam poucos recursos, para reafirmar a pouca vontade de incentivar sua vida artística. Miró passou fome por muitos dias e tentava aproveitar as alucinações que a falta de comida lhe dava pintando novos quadros e sentindo o mundo de um jeito diferente.
 
É possível ver estas experiências em "The Farmer’s Wife", um dos primeiros quadros do artista a mostrar grandes variações de escala ao longo do desenho, em que os grandes pés da esposa representam sua força no chão catalão.
 

"The Farmer's Wife" - 1922-23 - óleo s. tela

O 
surrealismo de Miró não era parecido com os traços perfeitos de Dalí e Magritte, mas sim focado no simbolismo e no minimalismo que conseguia aplicar em seus desenhos de formas inusitadas. Segundo o pintor, quando foi apresentado por André Masson ao círculo surrealista, ninguém reparou em suas obras – provavelmente ninguém as tinha entendido.

Mesmo assim, o movimento surrealista lhe foi muito importante. Miró relata. “Pintar com todas essas regras (do cubismo) me estressava um pouco. Eu queria ir além disso. O cubismo abriu muitas portas, mas depois dele a pintura se tornou algo muito estático, estava somente preocupada com o plasticismo e eu queria dar um salto sobre isso, que me parecia muito limitado. Então, com os surrealistas eu encontrei o que estava procurando. Eu pude deixar o plasticismo estrito para trás e ir além”.
 

"Nord - Sud" - 1917 - óleo s. tela

A Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial deixaram marcas no artista. Nesta época, ele estava vivendo na Espanha e lá produziu suas “pinturas selvagens”. Apesar disso, antes da eclosão da Segunda Guerra, Miró estava na França realizando novos trabalhos em tapeçaria e produzindo cenários de balés.
 

"Tapis de la Fundació" - tapeçaria criada como estudo do modernismo, na entrada da Fundação Miró, em Barcelona.
 
Após a Guerra Civil Espanhola, Miró já era conhecido no mundo todo e pintou murais de hotéis e universidades quando foi para Nova York. Ao retornar a Paris, em 1948, era um artista cultuado. Miró recebeu um prêmio de gravura na Bienal de Veneza, em 1954, e o mural que realizou para um prédio da UNESCO em Paris ganhou, quatro anos mais tarde, o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1980, já perto de sua morte, Miró recebeu uma Medalha de Ouro de Belas Artes do rei Juan Carlos I.
 

UNESCO - dezembro 1957

Reza a lenda que enquanto estudava na Escola de Belas Artes de Barcelona, Miró
vendava os olhos e tentava pintar objetos sem nenhuma experiência visual. Utilizava o tato para se livrar das formas reais dos objetos escolhidos e dava liberdade para sua imaginação, se abstendo de regras para suas pinturas. Sua simbologia também é bem pessoal, com diversos personagens sendo representados por objetos característicos, como a representação do camponês catalão por um cachimbo, uma arma ou um boné.


"Interior holandês" - 1928
 
"Mais importante do que a obra de arte propriamente dita é o que ela vai gerar. A arte pode morrer; um quadro desaparecer. O que conta é a semente". Joan Miró