Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

24 de fevereiro de 2016

Ensaio fotográfico de Britt M "Retratos sobre o esquecimento"




Neta registra o cotidiano de esquecimentos da avó com Alzheimer em ensaio fotográfico.

Ser uma doença sem cura e sem explicação exata, torna o Alzheimer ainda mais difícil de ser compreendido. E é justamente neste cenário que o trabalho da jovem fotógrafa norueguesa Britt M. chama a atenção.

Com amor e sensibilidade, Britt M, registrou em um ensaio tocante os dias de luta e os momentos difíceis da vida de sua avó com a doença de Alzheimer. A fotógrafa eternizou o cotidiano para mostrar a transformação na vida da avó, que era uma pessoa ativa e forte, até que começou a perder a memória e veio o triste diagnóstico.




Com delicadeza, imagens mostram processo solitário de desconstrução da personalidade, causada pela doença.

Houve uma reviravolta na vida da avó. Ela iniciou um processo de esquecimento. No ensaio podemos ver através da fotografia como a neta consegue mostrar a escuridão, estranheza e solidão em torno de uma pessoa que deixou de ser quem era.



Com a doença, ela se esqueceu das atividades mais básicas, como se alimentar. Também não se lembrava do nome da neta. As fotografias mostram esse processo de desconstrução de quem ela era.




Em seu projeto, Britt M explicou: “Eu tinha uma avó que era sempre tão forte. Sempre tão assertiva e sempre tão contente. Eu tinha uma avó que viveu por mais de 20 anos após o falecimento de seu marido, que manteve suas rotinas normais, todos os dias. A avó, que tinha orgulho em se vestir bem, convidando pessoas para uma xícara de café e que regava seus vasos de plantas duas vezes por semana".


"Minha avó vestia malha em sua cadeira perto da janela, sempre usava chinelos dentro de casa e disse que fazia suas orações todas as noites, antes de ir para a cama sozinha. Então, um dia, eu tinha uma avó que não era forte, nem assertiva. Eu tinha uma avó que esqueceu de comer. Esqueceu-se de alimentar os pássaros. A avó ocasionalmente teve um tempo difícil para lembrar quem eu era".




"Mas, apesar do fato de que sua compreensão sobre o mundo estava indo embora, mesmo que sua memória estivesse desmoronando e os seus dias fossem mais cinza do que coloridos, ela ainda manteve as suas rotina".




Minha avó faleceu pacificamente, não muito tempo depois. Eu estava lá quando aconteceu. Esta é a minha representação artística do que parecia ver alguém tão perto de mim lutar com a escuridão, estranheza e a solidão de perder sua memória. Um retrato de como eles tentam desesperadamente segurar as poucas coisas familiares que deixaram, só para sentir como eram uma vez, mais uma vez”.

A representação artística da visão de Britt M. sobre a doença traz uma dosagem equilibrada de delicadeza e melancolia construída a partir da interação de personagem, objetos e cenários, características que podem ser vistas também em outros trabalhos da fotógrafa, divulgados no Instagram ou em sua página do Facebook.









17 de fevereiro de 2016

Coleção do Whitney Museum of American Art e Willem de Kooning




O Whitney Museum of American Art conta com mais de duas centenas de obras em exposição no sexto e sétimo andar representando parte do seu acervo.

Organizados em sequência cronológica, a apresentação é dividida em onze temáticas ou "capítulos". Cada capítulo leva o nome de uma obra, a qual incentiva o olhar do espectador e não de um movimento ou o estilo. A exposição elabora alguns dos temas, ideias, crenças e paixões que vem impulsionando artistas americanos em sua luta para trabalhar dentro e contra as convenções estabelecidas, muitas vezes envolvendo diretamente os seus contextos políticos e sociais. Obras de arte em todas as mídias são exibidas juntas, reconhecendo as maneiras em que os artistas desenvolveram vários modos de produção e dissolvidos os limites entre eles.


As obras em exibição refletem necessariamente recorde de aquisições e exposições do Whitney, que constitui uma espécie de memória e um coletivo que representa uma série de atitudes individuais, às vezes conflitantes, para o que a arte americana pode ser, dizer ou fazer em qualquer momento. Obras que raramente, ou nunca, foram mostrados aparecem ao lado de ícones amados como um desafio que está no cerne do compromisso do Museu em constante evolução e compreensão da arte americana.


No Whitney Museum, visitando o seu acervo, pude apreciar ao vivo obras de um dos meus artistas favoritos, o expressionista Willem de Kooning. Compartilho com vocês um pouco da sua vida e obras.



"Mulher de bicicleta" - 1952/53 - óleo, esmalte, e carvão sobre linho - 195 × 125 cm - Willem de Kooning


Sobre o artista - Willem de Kooning

Pintor norte-americano de origem holandesa. Um dos expoentes do expressionismo abstrato, particularmente chamado de pintura de ação. Nasceu em 24 de abril de 1904 em Rotterdam. Criado por sua mãe e padrasto, estudou na Rotterdan Academy of Finr Arts and Techniques, emigrou para os Estados Unidos em 1926, onde viveu como clandestino passando por um período de muita pobreza.

Em 1920 Willem trabalhou como assistente do diretor de arte de um departamento da Rotterdam Store. Foi um dos trinta e oito artistas escolhidos para desenhar e pintar 105 murais públicos na Feira Mundial de 1939 em Nova York.


Elaine and Willem de Kooning in studio, Parrish Art Museum

Aos 21 anos, em 1926, embarcou clandestinamente para os Estados Unidos. Instalou-se em Nova Iorque e viveu de pequenos expediente. Descobriu Greenwich Village, o bairro dos artistas, e ligou-se aos primeiros pintores abstratos americanos, decidindo, em 1935, dedicar-se inteiramente à pintura. Suas telas abstratas e figurativas sofreram influência do cubismo e do surrealismo de Picasso.


"Mulher sentada" - 1940 - óleo s canvas -  137 x 91 cm - Philadelphia Museum of Art

Na década de 30 adota diversos estilos simultaneamente, entregando-se à experimentação com grande vigor. Com pinceladas violentas, produz composições geométricas. Em 1937, juntou a partícula "de" ao seu nome para o tornar mais acolhedor e em 1938 começa a pintar formas masculinas e quadros abstratos coloridos. Em 1942 tornou-se amigo de Pollock em Nova Iorque.


"Pink Angels" - 1945 - óleo s. canvas -  Frderick R. Weisman Foundation - Los Angeles - CA.

Em 1947 conheceu Arshile Gorky, com quem partilhou um atelier e, tal como ele, se interessava pela pintura abstrata mais que pela figurativa. Ambos foram inspirados por Joan Miró e Pablo Picasso. Em abril de 1948 expôs pela primeira vez sozinho, na Charles Egan Gallery e passou a ser considerado, ao lado de Jackson Pollock, o líder da nova corrente, o expressionismo abstrato.



Sem título - 1949 - esmalte preto s. papel - 55.6 x 75.9 cm - Museum of Fine Arts - Boston

Em 1950 criou a pintura de grande formato "Escavação", alguns críticos consideraram a mais importante obra do artista. A tinta jogada sobre a tela, a justaposição de várias cores que destoavam entre si, a manipulação dos tons e a herança expressionista foram o que De Kooning usou para desintegrar a realidade – que nunca se apagou totalmente. Suas obras primavam pela emoção e movimento.


"Escavação" - óleo s. canvas - Isola di Rifiuti

Nessa mesma época lançou uma série sobre as mulheres intitulada "Women", que mostra formas femininas em pinceladas frenéticas, onde representou a atriz Marilyn Monroe, entre outras. 

Sua obra, "Mulher 1", a mais conhecida, é um mosaico de cores fortes, densa, que estuda a mulher. O rosto anguloso, os olhos repuxados, dentes ferozes, curvas destituídas de sensualidade, são de uma mulher que se posta entre o abstrato e o figurativo. Parecem representar tanto a reverência quanto o medo que o poder feminino infundia no inconsciente do artista. A telas dessa séria foram meticulosamente planejadas. O público estranhou o aspecto grotesco das representações femininas e a crítica reprovou a inclusão de elementos figurativos na arte abstrata. De Kooning trabalhou formas angulosas e bruscas, oferecendo um berrante contraste com a representação sensual e deificada, na arte tradicional, da figura feminina.


"Mulher 1" - óleo s. canvas - 1,47 x 1,92 cm - Museum of Modern Art - New York 

O artista causou polêmica com a série "Mulheres", e justificou-se: "Alguns artistas atacaram-me por pintar mulheres, mas eu acho que isso era problema deles, não meu. Não me sinto como um pintor não-objetivo".

A série seguinte foi sobre os negros dos Estados Unidos e novamente suas obras chocaram o público. Começou-se a falar também do "rosa de Kooning".


Sem título - 1948 - esmalte e óleo s. linho

Em 1961 instalou-se em um grande atelier, em East Hampton. Recusou categoricamente pertencer ou ser afiliado a movimentos artísticos, porém, é catalogado como artista do expressionismo expressionismo abstrato.

Em 1963 De Kooning mudou-se para Long Island onde houve seu declínio criativo. O artista não abandonou a pintura, mas começou a trabalhar com esculturas em Roma, no ano de 1969, época em que executou suas primeiras figuras trabalhadas com argila e fundidas em bronze.




Sem título - 1972 -  bronze com patina marrom - 376 x 641 x 203 cm - Matthew Marks Gallery - NY

Willem de Kooning morreu em 1997, em East Hampton, Nova York, sendo diagnosticado com o mal de Alzheimer. Em 2012 teve uma retrospectiva no MOMA, em Nova York.















16 de dezembro de 2015

Joan Miró: vida e obra




Joan Miró nasceu em 1893, na cidade Barcelona, e foi criado por uma família de artesãos. Apesar de demonstrar seu gosto pela pintura desde cedo, foi pressionado a entrar para uma carreira burocrática, o que lhe trouxe grandes problemas e em pouco tempo de trabalho, ao se ver preso a uma atividade monótona enquanto o país efervescia em correntes artísticas, Miró entrou em profunda depressão agravada por um ataque de febre tifoide.

O artista precisou de ajuda médica para voltar à atividade, mas foi o impulso necessário para largar tudo aquilo que lhe retirava o prazer de viver e entrar de vez para as artes.
 
Cursou a Escola de Belas Artes de Barcelona e a Academia de Gali. Joan Miró teve aulas com Francisco Gali, que lhe ensinou tudo sobre as escolas de arte moderna de Paris, lhe introduziu ao mundo da leveza bizantina nas igrejas da Catalunha e à arquitetura de Antônio Gaudí.


"O Carnaval de Arlequim" - 1924 - óleo s. tela

Apesar de ser reconhecido como pintor, Miró também se dedicou à obras em cerâmica e teve influência do dadaísmo, fauvismo e cubismo durante sua vida artística.


"Mulher" - Joan Miró

De 1915 até 1919, trabalhou em Montroig, cidade próxima a Barcelona, pintando paisagens, retratos e nus, mas foi em 1919 que sua vida mudou, quando se transferiu para Paris e dividiu sua vida entre Espanha e França.


"Retrato de V. Nubiola" - 1917

Joan Miró: vida do artista

Joan Miró, na França, foi amigo de Picasso, que o ajudou em suas pinturas, mas na época Miró não conseguia vender suas obras e estava sempre com suas economias no limite. Seus pais enviavam poucos recursos, para reafirmar a pouca vontade de incentivar sua vida artística. Miró passou fome por muitos dias e tentava aproveitar as alucinações que a falta de comida lhe dava pintando novos quadros e sentindo o mundo de um jeito diferente.
 
É possível ver estas experiências em "The Farmer’s Wife", um dos primeiros quadros do artista a mostrar grandes variações de escala ao longo do desenho, em que os grandes pés da esposa representam sua força no chão catalão.
 

"The Farmer's Wife" - 1922-23 - óleo s. tela

O 
surrealismo de Miró não era parecido com os traços perfeitos de Dalí e Magritte, mas sim focado no simbolismo e no minimalismo que conseguia aplicar em seus desenhos de formas inusitadas. Segundo o pintor, quando foi apresentado por André Masson ao círculo surrealista, ninguém reparou em suas obras – provavelmente ninguém as tinha entendido.

Mesmo assim, o movimento surrealista lhe foi muito importante. Miró relata. “Pintar com todas essas regras (do cubismo) me estressava um pouco. Eu queria ir além disso. O cubismo abriu muitas portas, mas depois dele a pintura se tornou algo muito estático, estava somente preocupada com o plasticismo e eu queria dar um salto sobre isso, que me parecia muito limitado. Então, com os surrealistas eu encontrei o que estava procurando. Eu pude deixar o plasticismo estrito para trás e ir além”.
 

"Nord - Sud" - 1917 - óleo s. tela

A Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial deixaram marcas no artista. Nesta época, ele estava vivendo na Espanha e lá produziu suas “pinturas selvagens”. Apesar disso, antes da eclosão da Segunda Guerra, Miró estava na França realizando novos trabalhos em tapeçaria e produzindo cenários de balés.
 

"Tapis de la Fundació" - tapeçaria criada como estudo do modernismo, na entrada da Fundação Miró, em Barcelona.
 
Após a Guerra Civil Espanhola, Miró já era conhecido no mundo todo e pintou murais de hotéis e universidades quando foi para Nova York. Ao retornar a Paris, em 1948, era um artista cultuado. Miró recebeu um prêmio de gravura na Bienal de Veneza, em 1954, e o mural que realizou para um prédio da UNESCO em Paris ganhou, quatro anos mais tarde, o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1980, já perto de sua morte, Miró recebeu uma Medalha de Ouro de Belas Artes do rei Juan Carlos I.
 

UNESCO - dezembro 1957

Reza a lenda que enquanto estudava na Escola de Belas Artes de Barcelona, Miró
vendava os olhos e tentava pintar objetos sem nenhuma experiência visual. Utilizava o tato para se livrar das formas reais dos objetos escolhidos e dava liberdade para sua imaginação, se abstendo de regras para suas pinturas. Sua simbologia também é bem pessoal, com diversos personagens sendo representados por objetos característicos, como a representação do camponês catalão por um cachimbo, uma arma ou um boné.


"Interior holandês" - 1928
 
"Mais importante do que a obra de arte propriamente dita é o que ela vai gerar. A arte pode morrer; um quadro desaparecer. O que conta é a semente". Joan Miró
 
 
 
 





 

9 de dezembro de 2015

Biblioteca Pública de Birmingham



Biblioteca Pública de Birmingham é a maior biblioteca pública da Europa, tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi.


Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.
 
Inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade.

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço surpreendem.



A nova Biblioteca de Birmingham impressiona pela fachada, que contrasta com os edifícios históricos da região, e também pelos números. São 31 mil m2 de área e 400 mil títulos à disposição dos visitantes. É um centro de aprendizado, cultura e informação que convida o público a participar de cursos e assistir a peças de teatro, palestras e concertos. Projetado pela arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, o edifício tem jardins suspensos e fachada de vidro envolvida por círculos de metal, que remetem à tradição artesanal desse município, berço da Revolução Industrial.
 


O interior é repleto de atrativos visuais, como volumes circulares, claraboias e escadas escultóricas. Admiradores de William Shakespeare encontram o Memorial Room, onde fica a extensa coleção de trabalhos do gênio inglês. O dramaturgo – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

O ambiente intimista tem estilo vitoriano, com móveis e objetos de uma biblioteca de 1882 que foi realocada ali. É uma bela surpresa no topo do edifício.
 

 
Esta biblioteca tem um número significativo de coleções nacionais e internacionais como os arquivos Boulton e Watt. Destaca-se também o arquivo Bournville Village Trust, a coleção de livros infantis Parker, a coleção de bilhetes de transporte Wingate Bett, a recolha fotográfica Warwickshire e o arquivo do "British Institute of Organ Studies".

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio),  foi removida inteiramente e restaurada.
 


Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como "Folios") e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para serem colocados à disposição do público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época. No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

 

 
Boulton, Watt and Murdoch Statue

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do "Birds of America" ("Aves da América"), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

A biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de "Precisamos Falar sobre Kevin" e "O Mundo Pós-Aniversário") e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como "Poeta Laureado" do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham.

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado. "É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital", ressalta.

Assista ao vídeo





2 de dezembro de 2015

Fotos de Thomas Roma no Parque de Cruising Gay no Brooklyn



Parque de Cruising Gay no Brooklyn por Thomas Roma

Apesar de já ter exposto no Museu de Arte Moderna e no Centro Internacional de Fotografia, e de ser o fundador e diretor do programa de fotografia da Universidade Columbia, Thomas Roma ainda não havia participado de uma exposição solo em Nova York. Com a abertura da Steven Kasher Gallery, suas obras já podem ser apreciadas na exposição "In the Vale of Cashmere".

Fotos em preto e branco tiradas entre 2008 e 2011 na área do Prospect Park, um lugar conhecido como Vale of Cashmere. Essa área do parque é fechada, acessível apenas por buracos na cerca, e é conhecida no Brooklyn como um local de "cruising" para homens gays.
 
Construído como um playground para crianças da região no final do século XIX, o parque hoje abandonado está coberto de mato mutante que só cresce no solo urbano. Foi criado um grupo para arrecadar recursos para reativar o local que sobreviveu ileso ao constante ciclo de renovações de Nova York, tanto que andar por ele dá uma sensação cinematográfica de estar de volta ao passado. Essa qualidade naturalmente anacrônica, amplificada pela fotografia em preto e branco e a luz filtrada pelas folhas, estão evidentes nas fotos de Roma.
 


"Essas imagens são sobre uma espécie de fugacidade", disse Roma em sua casa localizada no Brooklyn, entre o parque e o Cemitério Greenwood, onde ele e a esposa criaram o filho Giancarlo. "Conhecemos essa luz. Você sabe que essa luz direcional vai desaparecer. Você sabe disso porque está vivo, está no mundo, não porque é um fotógrafo."

Em entrevista Roma falou sobre luz, fotografia, a realização de coisas que não são boas para o crescimento como artista e ser humano. Falou sobre como foi visitar o parque três ou quatro vezes por semana, fazer essas fotos no curso de três anos e se tornar vulnerável às outras pessoas como um ato de amor. Em certo ponto, ele contou sobre fotografar um homem no parque enquanto a noite caía. ("Sei de um lugar onde ainda há alguma luz", o homem falou. "Venha comigo.")

 


Roma falou sobre a natureza extremamente política do tema e o que significa para um artista heterossexual branco fazer esse tipo de trabalho em 2015. Como resultado os retratos de "In the Vale of Cashmere" são belíssimos e suas paisagens líricas.

Thomas Roma: "Achei que levaria alguns meses, mas foram três anos e meio. Só fotografei umas seis ou sete pessoas nos primeiros meses. Eu fazia principalmente paisagens. Eu estava lá o tempo todo. Eu era alguém que era visto".

"A exposição de todos os retratos está (com o tempo usado para tirar as fotos) entre um e seis segundos. Foi a segunda vez que usei um tripé em todos esses anos, mas eu queria o tripé, pois isso era parte da minha fantasia. Eu não queria ser visto como alguém espreitando, que poderia aparecer do nada e tirar uma foto, e sim como alguém em pé atrás da câmera".



"Esse parece um lugar onde seria difícil fazer as pessoas concordarem em posar para uma foto. Parece que o isolamento é a principal razão para frequentar o lugar".

"Muitas das pessoas que acabei fotografando me viram de longe, deram algumas voltas e finalmente decidiram andar até onde eu estava caso eu estivesse tirando fotos de uma árvore ou algo assim. E eu converso com as pessoas".
 


Foto de Carl Spinella no apartamento de Dean Street, em 1974, retirada do livro de Thomas Roma The Waters of Our Time.

"Estou tentando ser invisível. Você vê uma foto, lê um romance, você pensa sobre o autor – até o autor te dar permissão para esquecer dele, pois ele escreveu tão bem que o romancista desaparece. Quero desaparecer nesses termos".
In the Vale of Cashmere está em exposição na Steven Kasher Gallery de Nova York até 19 de dezembro.


Sobre o artista


Thomas Roma (1950), mericano, fotógrafo trabalha desde 1974 explorando os bairros e instituições da sua terra natal, Brooklyn, fotografando cenas de igrejas, metrôs e vida cotidiana, usando uma câmera caseira.
 
Atualmente é professor de Artes, titular da Universidade de Columbia School 's, e Diretor do Departamento de Fotografia, fundado por ele. Ensinou fotografia na Universidade de Yale, Universidade de Fordham, A União Cooper, e na Escola de Artes Visuais.
 
Foi premiado com dois Guggenheim Fellowships e lançou dois livros, um no Museu de Arte Moderna e outro no  Centro Internacional de Fotografia, em Nova York.

Seu trabalho é destaque em inúmeras coleções, incluindo o Museu de Arte Moderna, o Museu San Francisco de Arte Moderna, do Instituto de Arte de Chicago, o County Museum of Art de Los Angeles e o Canadian Centre for Architecture em Montreal.

Para uma de suas coleções de fotografias, intitulada "Venha domingo", Roma participou com mais de 150 trabalhos religiosos em 52 igrejas no Brooklyn durante um período de três anos.
 


Thomas Roma na Sicília - 1986











11 de novembro de 2015

Museu de Arte Contemporânea de Bolzano, Itália



"Onde estamos indo dançar esta noite?" (obra reinstalada) - Goldschmied & Chiari - Museu de Arte Contemporânea de Bolzano.

Faxineira confunde obra de arte com sujeira pós-festa e 'faz limpeza' no Museion Bozen-Bolzano - Museu de Arte Contemporânea de Bolzano, Itália.


Uma obra de arte foi restaurada após ser confundida com sujeira e removida por uma faxineira em Bolzano, no extremo norte da Itália.

A funcionária do Museu achou que o trabalho chamado "Onde vamos dançar esta noite?", se tratava de uma bagunça deixada por uma festa realizada no local na noite anterior. A faxineira "limpou" o local e jogou todo o material fora.

A obra, exibida no Museu de Arte Contemporânea de Bolzano, é composta por bitucas de cigarro, garrafas vazias, confetes e um globo de espelhos.



Também conhecido como Museion Bozen-Bolzano, o espaço refez a instalação após obter o aval do duo Goldschmied and Chiari, artistas de Milão responsáveis pela obra. Segundo as artistas, os faxineiros do museu tinham separado os materiais para a reciclagem, o que possibilitou a remontagem.
 
A diretora do museu Letizia Regaglia, em declaração, disse que a equipe de limpeza foi avisada sobre o conteúdo da obra. "Dissemos a eles para apenas limpar o foyer, local que abrigou a abertura da exposição. Evidentemente, eles se confundiram".

Segundo seus idealizadores, a obra tem o objetivo de representar o hedonismo e a corrupção política vividos na década de 1980.


O espaço limpo após a "faxina".

De forma bem humorada, o museu disse que "teve má sorte com a nova faxineira" e pediu desculpas aos visitantes pelo incidente. A exibição foi reaberta logo em seguida ao acontecimento.

Um acidente similar ocorreu em Bari, no sul da Itália, em fevereiro do ano passado. Uma faxineira jogou fora trabalhos que faziam parte de uma instalação da galeria Sala Murat.



Detalhe da obra jogada fora na Sala Murat em Bari - Itália.

Segundo a empresa responsável pelo serviço de limpeza do local, a faxineira confundiu as peças, feitas de jornais e cartões, com lixo. Ela disse à época que estava "apenas fazendo seu trabalho".

O Museu de Arte Contemporânea de Bolzano já tem o tema do próximo evento da série. "Arte ou Lixo?".

Sobre "Onde vamos dançar esta noite?"


O trabalho de Goldschmied & Chiari descreve os restos que sobraram de uma festa acabada, uma metáfora, vista como a época de especulação financeira, do consumismo, televisão e partidos de massa - em suma, da abundância italiana. O título é inspirado pelo guia escrito pelos clubes políticos da península e pelo ministro das Relações Exteriores - na ocasião, Gianni De Michelis - com prefácio de Gerry Scotti. 


"Arte nutrientes" é o título da exposição, que envolve vários museus e instituições italianas, com o apoio da EXPO 2015.

Para a intervenção em Bolzano, Goldschmied & Chiari concentraram-se na época de abundância na Itália nos anos oitenta. Assim, nasceu a obra, uma metáfora da década, representada através da realização de um final de festa. "Os anos oitenta são para nós o estágio da infância, foi a era do consumismo, o hedonismo, a especulação financeira, a TV de massa, a política e os partidos socialistas". A instalação foi criada na casa estúdio do Museion.

"Onde vamos dançar esta noite?". É visível apenas no fechamento do museu, nas horas escuras, do crepúsculo ao amanhecer. O visor mostra o termino de uma festa abandonada como os restos de um banquete rico:. Escombros da abundância.


A nova instalação é a continuação do trabalho  "Genealogia da Damnatio Memoriae", de 2009, já presente na Museion.


A obra é composta por magnólias plantadas no jardim em frente ao Museu (lado Talvera). A casca é esculpida com as datas e locais de eventos históricos e violentos que ocorreram entre 1969 e 1980, na Itália, como o massacre de Piazza Fontana em Milão. Genealogias esculpidas na casca termina em 1980, assim como a era da abundância italiana começa nos anos oitenta. Condensada em uma visão amarga retratada pelas artistas. 



Sobre as artistas Goldschmied & Chiari

Sara Goldschmied (1975) e Eleonora Chiari (1971) formaram uma parceria em 2001, em Milão.

Goldschmied e Chiari trabalham com diferentes meios de comunicação, tais como fotografia, vídeo e instalação. Eles alcançaram reconhecimento internacional através de inúmeras exposições, colaborando com instituições de prestígio e museus na Itália e no exterior.

Participaram da Bienal de Veneza em 2009, Dublin Contemporânea, Bienal de Berlim, Vídeo Bienal de Tel Aviv, entre outras. Em 2012 ganharam o prêmio de melhores jovens artistas italianas do Museu de Arte Contemporânea de Castelo de Rivoli para a Fundação Rockefeller Bellagio Centro de Artes Criativas e muitos outros.


 






 

4 de novembro de 2015

"As Meninas" de Velázquez



"La Familia de Felipe IV" ou "Las Meninas" - Óleo sobre tela - 3,18 x 2,76 mts. - Pintura Espanhola - Séc. XVII - Diego Velázquez

"As Meninas", (1656) pintada por Diego Velázquez, o principal artista do Século de Ouro Espanhol. Atualmente no Museu do Prado em Madrid.
 
A composição enigmática e complexa da obra levanta questões sobre realidade e ilusão, criando uma relação incerta entre o observador e as figuras representadas. Por essas complexidades, "As Meninas" é uma das obras mais analisadas da pintura ocidental.

Pintado por Velázquez durante sua fase chamada "La Familia", onde o artista representava cenas do cotidiano. Na cena, a jovem Margarita, da Áustria, encontra-se cercada por sua pequena corte de damas e empregados. Não é um quadro estático, mas uma cena em movimento, onde os reis encontram-se refletidos no espelho, fazendo pose, exigindo mais um retrato de Velázquez que, empertigado frente ao grande cavalete (à esquerda) simula copiar o casal de soberanos. É o último e mais belo de todos os seus auto-retratos.
 
 
Infanta Margarita, da Áustria

A cena transcorre dentro de uma estância do Alcázar de Madri, decorada com uma série de quadros. Os personagens se agrupam em um primeiro plano juntamente com a figura principal, a infanta Margarita, que ocupa a parte central do grupo; a seu lado, Isabel Velasco e Agustina Sarmiento - "As meninas" - junto a esta última os irmãos María Bárbola e Nicolás Pertusato perto de um mastím que descansa com os olhos cerrados.

Atrás deles, na penumbra, aparecem Marcela de Ulloa e, segundo algumas fontes, Don Diego Ruiz de Azcona. À esquerda encontra-se a figura de Velázquez com seus instrumentos de trabalho diante de um grande cavalete que ocupa o ângulo do quadro.



No fundo da habitação, junto a uma porta aberta, encontra-se Don José Nieto de Velázquez, camareiro da rainha, que é o centro perspectivo da obra. Ressalta na parede de fundo um espelho onde aparecem refletidas as figuras dos reis Felipe IV e Mariana da Áustria.

Esta pintura, ficou nas dependências do Alcázar de Madri até o incêndio de 1734.
Veio para o Real Museu de Pintura e Escultura (atual Museu do Prado) no começo do século XIX, com obras procedentes da coleção real.

A pintura teve vários nomes, mas no Museu do Prado, no catálogo redigido por Pedro de Madrazo, em 1834, a obra foi chamada pela primeira vez "Las Meninas" - expressão de origem portuguesa com que se designava as acompanhantes de crianças reais no século XVII.

A harmonia e a disposição das figuras é perfeita, a luz que banha a sala parece difusa, refletida, como deveria ser a luz para a execução de uma boa pintura. O clima é tranqüilo e a menina, a princesa, ainda muito jovem, com cinco anos aproximadamente, está muito concentrada em algo externo ao quadro, a ponto de negligenciar o gesto da dama de honra que lhe oferece algo para beber.

A pintura foi terminada em 1656, data que encaixa com a idade que aparenta a infanta Margarida (aproximadamente cinco anos). Filipe IV e Dona Mariana costumavam entrar com frequência na oficina do pintor, conversavam com ele e às vezes ficavam bastante tempo vendo-o trabalhar, sem protocolo algum. Isto era algo muito repetido na vida normal do palácio e Velázquez estava acostumado a estas visitas.

O lugar onde trabalhava Velázquez era uma sala ampla do piso térreo do antigo Alcázar de Madrid que fora o aposento do príncipe Baltasar Carlos, falecido em 1646, dez anos antes da data de execução de "As Meninas". É precisamente este aposento que aparece retratado no quadro.

Conversa informal

Recentemente estive em Madri e visitei o Museu do Prado onde pude apreciar de perto essa enorme e impactante obra. Única, ocupa uma sala repleta de intenções, desejos e mistérios. Caravaggio! Sim, ele  está ali, um auto retrato em meio a sua mais fantástica obra. Podemos ficar horas apreciando, tentando entender, deleitando. Maravilhosamente indescritível!

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