Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

10 de janeiro de 2013




Jackson Pollock

Um gênio da pintura. Um mestre das cores e das formas.

O pintor Paul Jackson Pollock mais conhecido por Jackson Pollock (1912 - 1956), foi um pintor de grande importância no movimento expressionista abstrato e seu sucesso deve-se à técnica de gotejamento que utilizava em suas obras.

Pollock demoliu os limites impostos pelo cubismo e deu credibilidade à pintura americana do pós-guerra. Sua forma de pintar ficou conhecida por "action painting".
 
  


Técnicas exclusivas de pintura de Pollock documentadas pelo fotógrafo Hans Namuth.

A biografia de Pollock mostra um artista depressivo e alcoólatra que tinha constantes rompantes de fúria e autodestruição. Jackson Pollock pintou 340 telas antes de suicidar-se aos 44 anos jogando seu carro contra um árvore no ano de 1956. Um gênio rebelde que pintou obras primas como: Guardians of the Secret (1943), Number 32 (1950), Echo: Number 25 (1951), Blue Poles: Number 11 (1952), entre outras. 
 

 
Guardians of the Secret - 1943 - Jackson Pollock

 

Number 32 - 1950 - Jackson Pollock

 

Echo: Number 25 - 1951 - Jackson Pollock


Blue Poles: Number 11 - 1952 - Jackson Pollock

No ano de 1945 casou-se com Lee Krasner que sempre lhe deu força e incentivo para seguir em frente na tentativa de libertar-se do alcoolismo.

Em 1998 e 1999 seu trabalho foi homenageado com grandes exposições retrospectivas no MoMA e no The Tate, em Londres.

Em 2000, Pollock foi objeto de um vencedor do Oscar, com o filme Pollock dirigido e estrelado por Ed Harris .

Segundo a percepção popular, até uma criança saberia fazer as pinturas de Pollock, borrifadas de tintas pingadas sobre a tela. Mas na verdade, há método e genialidade em sua pintura. Um caos colorido e calculado onde os pingos de tintas em distintas composições formam um caleidoscópio de texturas e emoções variadas. Muitos artistas pop depois de Pollock se inspiraram em sua obra e tentaram, sem sucesso, atingir a plenitude da obra de Jackson Pollock. Suas obras são inimitáveis e ainda hoje Pollock continua a ser louvado pela crítica e pelo público em geral que o reconhece como um dos maiores pintores modernos.

Certa vez Pollock disse. "Minha pintura não vem do cavalete. Eu prefiro a aderência à tela não esticada no muro ou no chão. Preciso da resistência de uma superfície dura. No chão estou mais à vontade. Eu me sinto mais perto da pintura, pois desta forma posso caminhar ao seu redor, trabalhar dos quatro lados e literalmente estar na pintura".

Em 2012, uma das melhores obras do artista, a Número 28, de 1951, criada a partir da combinação de gotejamento e pinceladas em tons de cinza prateado com vermelho, amarelo e tiros de azul e branco, foi vendida na Christie, em Nova York, por 20,5 milhões de dólares - $ 23 milhões, com taxas - dentro de sua faixa estimada de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.




Number 28 - 1950 - Jackson Pollock


Conversa informal

Há algum tempo, tive a felicidade de ver a obra Number 31, de Jackson Pollock que se encontrava em exposição no MoMA em NY, ao vivo e em cores, com direito a fotografar (sem flash, é claro) e ficar horas (se eu assim quisesse), analisando... admirando... estudando e literalmente babando!!! É impressionante a sua grandeza, beleza e riqueza.

Segue um pequeno filme de Jackson Pollock criando.



A sua maneira de pintar tornou-se uma marca inconfundível. Até hoje Pollock serve de referência e inspiração para muitos artistas.

Rita Agueira, artista plástica de São Paulo, cria suas obras inspiradas em Jackson Pollock. Rita conta que a sua pintura é livre de suporte, esse é o seu objetivo. Na pesquisa de materiais, ela descobriu as potencialidades do látex de borracha natural. A sua textura fluida e encorpada tornou-se bem interessante. Certa vez Rita falou a respeito da sua obra. "É um trabalho bem desafiante, mas muito prazeroso pelo resultado que apresenta". Surgem tramas, mesclas de cores e combinações infinitas, que resultaram na descoberta do design de objetos e de moda. Hoje ela se dedica à criação de biojóias e roupas com látex de borracha natural. "É uma forma de colocar a arte em movimento nos corpos das pessoas e de alguma forma interferir no espaço urbano através da moda, que é também uma manifestação de arte", afirma a artista. Rita acredita que sua influênci a vem direto da action painting. Entre os vários artistas que ela admira estão Pollock, Aguilar e Mark Rothko.


Conheça alguns dos trabalhos de Rita Agueira.
 
 

 
Pinturas abstratas com látex de borracha natural sem suporte - Rita Agueira


 
Blusa e colar em látex de borracha - Rita Agueira



Renda em látex de borracha color. preta e vermelha - Rita Agueira


Contato:
www.ritaagueira.com.br
 
 
 


 
 
 

 

9 de janeiro de 2013






PAUL KLEE

Conexões entre música e artes plásticas formuladas por Paul Klee

Desde os primeiros anos de sua vida escolar, ha registros que Klee já realizava experimentos neste sentido, desenhando os códigos simbólicos do universo da música nas bordas dos cadernos de aulas de desenho geométrico. Em 1898, com 19 anos de idade, seu aprendizado do desenho era acompanhado de representações da escritura musical. Enquanto aprendia a desenhar uma elipse, Paul Klee via, na forma geométrica, o olhar de Beethoven. "Cada vez mais estou convencido acerca dos paralelismos entre a música e a arte", diria, então, o jovem Paul Klee.
 
 


Estradas e caminhos - Paul Klee

Bastante pedagógico, nesse aspecto, são os esboços de Klee - Polifonia a três partes -
mostrando superposição de cores e texturas para representar a polifonia, "entre a linha melódica e a linha no desenho; o ritmo e as sequências; os tempos dos compassos e as divisões da pintura; a métrica da música e a modulação da forma e da cor nas artes visuais".
 


"Polifonia" - 1932 - Paul Klee

Paul Klee nasceu em Münchenbuchs (1879-1940) na Suíça, filho de pai alemão e mãe suiça. Era considerado alemão e suiço. Klee cresceu em Berna, na Suíça, e voltou lá muitas vezes, mesmo antes de sua emigração final da Alemanha em 1933. Foi um dos maiores artistas do início do século XX autor de uma linguagem plástica inovadora, um artista em essência. Convencido de que a realidade artística era totalmente diferente da observada na natureza, dedicou sua carreira à busca do ponto de encontro entre realidade e espírito.



New Harmony - 1936 - Paul Klee 

Seu estilo altamente individual foi influenciado por movimentos na arte que incluiu o expressionismo, cubismo e surrealismo. Paul Klee era desenhista, experimentou e dominou a teoria das cores, e escreveu extensivamente sobre isso. 
 
Klee experimentou a mistura de meios artístcos, usando aquarela e pintura a óleo ou tinta, cola e verniz, por exemplo. No entanto, nem sempre é possível especificar o meio utilizado em alguns trabalhos.
 
Em 1924, o trabalho de Klee atravessou o Atlântico e foi exibido em Nova York, pela primeira vez. 

Em 1940, Klee foi acolhido por um sanatório perto de Locarno e, menos de um mês depois, transferido para a clínica Sant'Agnese. Morreu em 28 de junho do mesmo ano.

Delacroix, Ruskin, Gauguin, Seurrat, Delaunay, Kandinsky, Matisse, Tobey, Mondrian e Pollock foram os contemporâneos que também se debruçavam sobre as interrelações entre forma e música.
 

 
Composição IV- 1911 - Wassily Kandinsky
 


Composição com vermelho, amarelo e azul - 1921 - Piet Mondrian

Curiosidades


Aos sete anos Paul Klee começou a tocar violino e, aos oito, ele ganhou de sua avó uma caixa de giz. O que parece é que Klee foi igualmente talentoso na música e na arte.

Aos dezesseis anos, os desenhos de paisagens de Klee já mostravam habilidade considerável. Por volta de 1897, ele fundou um diário - que ele manteve até 1918 -  dando informações valorosas sobre sua vida e filosofia, a pesquisadores.
 
Ele e seu amigo, o pintor russo Wassily Kandinsky, também eram famosos por darem aulas na escola de arte e arquitetura Bauhaus.
Klee era um mestre de colagens, vitrais, e murais.
Entre 1933 e 1934, Klee realizou exposições em Londres e em Paris, onde finalmente conheceu Picasso, a quem ele tanto admirava.
 
Klee produziu aproximadamente 500 obras, durante seu último ano na Alemanha (1933). Ficou seriamente doente, recuperou a saúde e foi encorajado por seus amigos Kandinsky e Picasso a voltar a pintar e, em 1939, ele criou mais de 1.200 obras. Ao falecer, deixou uma herança composta de, aproximadamente 9.000 obras de arte.

Palavras de Paul Klee. "A arte não reproduz o visível, mas sim torna visível". 
 
 



 


8 de janeiro de 2013

O Expressionismo de Franz Marck


Franz Marck por August Macke

Franz Moritz Wilhelm Marck (1880-1916), pintor alemão, foi um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha.


Iniciou seus estudos na Academia de Belas Artes de Munique, em 1900, depois de passar por Filosofia e por Teologia. Suas primeiras criações foram paisagens, de estilo naturalista. Graças ao seu excelente domínio do francês, que lhe fora transmitido pela mãe, durante duas temporadas que passou em Paris (1903 e 1907), descobriu o impressionismo e sobretudo uma grande afinidade com a obra de Vincent Van Gogh.


Em 1910, conheceu os pintores August Macke, Gabriele Münter e Wassily Kandinsky. Com eles e outros pintores dissidentes do movimento Neue Künstlervereinigung (Associação de novos artistas - Munique - 1909), fundou o grupo Der Blaue Reiter - O Cavaleiro Azul - em 1911.



Cão deitado na neve - o.s.t. - 1910/11 - Städelsches Kunstinstitut, Frankfurt.


 
Tigre - o.s.t. - 1912 - Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique


Potras azuis - o.s.t. - 1913 - 

Iinfluenciado pelo uso da cor de Robert Delaunay, sua obra vai se aproximando do futurismo, do cubismo e abstração, até se transformar em abstração expressiva. O tema é a força vital da natureza, o bem, a beleza e a verdade do animal, que o autor não vê no homem.

Marc sentia-se intimamente ligado aos animais e tentou representar o mundo tal como o animal o vê, como a simplificação formal e cromática das coisas. Usa cada cor para denotar um significado: azul para a austeridade masculina e o espiritual; amarelo para a alegria feminina; vermelho, para a violência.

Na Primeira Guerra Mundial, Franz Marc apresentou-se como voluntário. Em 1916, em Gussainville, nas proximidades de Verdun, foi abatido por um obus, quando realizava missão de reconhecimento. Morreu aos 36 anos, mas não antes de criar.

Sobre Der Blau Reiter

Franz Marc foi um pioneiro no nascimento da arte abstrata no início do século XX. O grupo Blaue Reiter propõe um novo programa para a arte baseada na cor exuberante e profundamente sentida, nos estados emocional e espiritual. Marc deu uma contribuição especial ao introduzir o imaginário paradisíaco em seus personagens, uma coleção de animais, principalmente de um grupo de cavalos heróicos.



Torre de cavalos azuis - 1913

O grupo Blaue Reiter foi formado por todos os pintores que se reuniram na Baviera (Terra Azul), mas passou muito além das fronteiras deste país. Não era a aparência exterior das coisas  que importava para eles, mas o seu espírito interior. Foi isso que os conduzio a abstração. 

Sobre o Franz Marc Museu

No Franz Marc Museu foi recem inaugurado um espaço para o extraordinário e precioso acervo do grupo Blaue Reiter onde estão expostas obras como Promenade Grande, de August Macke, o Hocken na Neve e Jumping Horse, de Franz Marc, a Improvisação 21 por Wassily Kandinsky, a Casa Amarela, de Gabriele Münter e o Asiático de Alexej Jawlensky podem ser apreciados pelos visitantes.



Promenade grande - 1913 - August Macke



Hocken na Neve - 1911 - Franz Marck


  
Jumping Horse - 1913 - Franz Marck 


Improvisação 21 - 1911 - Wassily Kandinsky

Conversa informal

Como artista plástica tenho imensa admiração por Franz Marck, adoro folhear os livros, apreciar o seu estilo único com cores fortes e formas claras e despojadas. Foi inspirada em suas obras que criei os animais que compõem as minhas telas junto com a natureza que tanto aprecio. A primeira série que criei com esse elementos chama-se Liberdade e é composta por oito telas.

Sobre a série Liberdade.

"Mergulhando em um mundo imaginário, deixei-me envolver pelas cores, formas, cheiro e movimento existente na natureza transferindo esses sentimentos para as obras".

Algumas das telas de minha criação

 
Gazelas - a.s.t.
 
 
 
Luar - a.s.t.
 
 
 
Expressão - a.s.t.
 
 


Natureza - a.s.t.



Barnes Museum Philadelphia




A Fundação Barnes na Filadélfia foi aberta ao público em maio de 2011, projetado pelo casal de arquitetos Todd Williams e Billie Tsien que juntos há 36 anos são o maior exemplo da boa arquitetura. O belo edifício que não apenas abriga uma coleção de arte inestimável (pinturas de mestres flamengos, italianos e de quase todos os impressionistas) como também ilumina uma extensa área no corredor cultural ao norte da cidade. Para Todd Williams, um museu é isso, uma extensão da casa de cada um dos visitantes, cuja construção deve começar de dentro para fora - “É mais na área interna que externa onde se passa nossa vida”.
 
Seu milionário acervo foi disposto de forma acessível ao público. Nesse novo edifício, o caráter íntimo das antigas galerias do museu original em Merion, na Pensilvânia, foi totalmente reproduzido. Ao mesmo tempo, a dupla fez bom uso da luz natural e vidros que deixam à vista os jardins externos. Tudo para ser fiel ao projeto educacional do velho Albert C. Barnes, químico que fez fortuna nos anos 1920 (com um remédio criado para curar doenças venéreas e prevenir cegueira infantil) adquirindo um acervo de 2.500 obras, com trabalhos de gênios como Cézanne, Matisse e Picasso dentre elas.

Barnes seguia os ensinamentos do filósofo John Dewey, um dos criadores da psicologia funcional que teve importante papel na reforma educacional americana. Para ele, um museu deveria ser, antes de tudo, uma instituição dedicada à difusão do conhecimento, não um depósito de obras. Todd Williams declarou, “Não é o papel dos governos cuidar dos museus no futuro e, portanto, é preciso criar condições para que essas instituições se mantenham de maneira autônoma, oferecendo serviços ao público”. Isso inclui, no caso do museu Barnes, um generoso salão de café com 50 mesas, espaços para cursos, teatro e sala de concerto. “Um museu tem de ser caloroso, não um lugar frio de exposição”.


 
O casal também é responsável pela arquitetura do Museu do Folclore e o Museu de Arte do Arizona.

Sobre Barnes Museu Philadélfia

Depois de cinco décadas a Fundação Barnes que era apenas uma escola com uma coleção de arte passou a ser também um Museu. Celebrada por sua amplitude excepcional, profundidade e qualidade, o acervo da Fundação Barnes inclui obras de alguns dos maiores mestres europeus e americanos do impressionismo, pós-impressionismo e arte moderna, bem como esculturas, artes têxteis dos nativos americanos, metais e muito mais.

A coleção com cerca de 800 pinturas e 2.500 objetos, alojados no subúrbio de Filadélfia em Merion, desde 1925, é simplesmente excepcional e muito comercializável para ter permanecido exclusivamente uma ferramenta de ensino.

Atualmente, a fundação, que tem 18.000 membros, é administrada por uma equipe de cerca de 30 profissionais de museus e oferece todas as comodidades para os visitantes. 

O Museu oferece uma galeria com exposições, um café interior-exterior, um auditório com 150 lugares e um espaçoso salão central, onde os visitantes podem relaxar e participar de reuniões sociais.

As outras áreas mantém uma exposição única e maciça, uma réplica do conjunto de galerias que Barnes criou, em Merion, há 27 anos. 

Um pouco desse seu incrível acervo
 

 
Ruiva menina em vestido de noite - Amadeo Modigliani
 
 
Dr. Giorgio - 1926 - de Chirico 
 


Lavandaria - 1875 - Edouard Manet



Natureza morta com Azul -  1907 - Henry Matisse
 
 
A Fundação Barnes
2025 Benjamin Franklin Parkway
Philadelphia , PA 19130
 
 
 

7 de janeiro de 2013

Georgia O'Keeffe: Vida. Arte. Museu.




Do Lago n.1 - 1924

Georgia O'Keeffe

Georgia Totto O'Keeffe (1887-1986 - Santa Fé) foi uma pintora estadunidense.

Segunda de sete filhos, cresceu em uma fazenda em Sun Prairie, Wisconsin. Quando criança, recebeu aulas de arte em casa e suas habilidades foram rapidamente reconhecidas e incentivadas pelos professores ao longo dos anos escolares. No momento em que ela se formou no colégio, em 1905, O'Keeffe estava determinada a traçar o seu caminho como artista.
 

O'Keeffe continuou seus estudos no Instituto de Arte de Chicago (1905-1906) e no Art Students League, em Nova York (1907-1908), onde rápidamente dominou os princípios da arte. Em 1908, conquistou o William Merritt Chase, ainda em vida, prêmio por sua pintura a óleo Untitled (sem título). Pouco tempo depois, no entanto, O'Keeffe parou de fazer arte, dizendo que nunca poderia alcançar distinção trabalhando dentro dessa tradição.

Seu interesse pela arte foi reavivado quatro anos mais tarde (1912), quando ela fez um curso de verão para professores de arte da Universidade de Virginia.

Em 1915, quando estava ensinando arte no Columbia College, Columbia, Carolina do Sul, tentou descobrir uma linguagem pessoal através da qual pudesse expressar seus próprios sentimentos e idéias e começou uma série de desenhos abstratos a carvão que são agora reconhecidas como as mais inovadoras em toda a arte americana do período.




N. 13 Special - 1916
 

O'Keeffe enviou alguns desses desenhos a um colega ex-Columbia, que os mostrou ao fotógrafo internacionalmente conhecido e empresário de arte, Alfred Stieglitz. Começaram a se corresponder, na primavera de 1918 ela fez uma exposição individual em NY. A partir de então, mudou-se para NY, apaixonaram-se, casaram, viveram e trabalharam juntos para sempre.



Series n.4 - 1918
 

Na década de 1920, O'Keeffe começou a pintar o primeiro arranha-céus de Nova York, assim como as suas representações de flores tornou-se reconhecida como uma das artistas mais importantes e bem sucedidas das Americas.




Radiator Building, Night, New York - 1927
 

Enquadrada na pintura modernista, suas telas com os sedutores arranha-céus  nos finais do século XIX encantaram também outras pintoras como Tamara de Lempika. As suas telas de paisagens e flores foram muito apreciadas a partir de 1928.  Georgia é considerada uma das pintoras norte-americanas de maior sucesso do século XX.




Papoilas Orientais - 1928


A arte de Georgia O'Keeffe foi conhecida por oito décadas no país e por muitos anos vem conquistando destaque semelhante no exterior. Mais de 500 obras suas estão em mais de 100 colecções públicas na Ásia, Europa e América do Norte e Central. Foi uma surpresa descobrir que, no momento de sua morte, em 1986, quando ela tinha 98, O'Keeffe possuía mais de metade das 2.029 obras mais conhecidas de sua produção total.

A coleção de O'Keeffe, do seu próprio trabalho, é amplo em meio, data, assunto e qualidade. Exemplos de seu trabalho do início ao final da carreira estão documentados como uma prova da complexidade de sua realização. Ela reteve obras que a definiram como uma artista que trabalhou com lona, tábua, papel, aquarela, lápis, óleo e argila, como materiais e suporte, fato que a tornou uma artista por completo. 

O'Keeffe produziu até 1982, dois anos antes de sua morte, em 1986, com a idade de 98.

Sobre Georgia O'Keeffe

Durante sua vida Georgia O'Keeffe criou um corpo de trabalho cuja estética era moderna em sua precisão, linhas limpas e de elegante simplicidade. Aplicou essa estética para a exibição e reprodução de sua obra e para representar e promover a si mesma.
 


O'Keeffe raramente permitida a reprodução de seu trabalho para tridimensionais e fins comerciais, mas foi generosa ao permitir a reprodução de suas obras em livros acadêmicos e exposições. A permissão era concedida com algumas restrições, somente se fosse atribuído à imagem uma borda branca de tamanho apropriado, sem cortes ou alterações de qualquer maneira, impressa acompanhada de um texto.

Ela viveu essa estética, como pode ser visto em sua maneira de vestir e na forma como ela decorou suas casas Abiquiu e Ghost Ranch, que permanecem até hoje como em sua morte em 1986.



Home Studios - Abiquiu & Gail Rieke's - Santa Fé
 


Cabana de madeira - Ghost Ranch - Novo México.

"Eu tenho um desejo, mas como pintora - que é pintar o que eu vejo, como eu vejo, no meu próprio caminho, sem levar em conta os desejos ou sabor do comerciante profissional ou do colecionador profissional." - Georgia O'Keeffe

Sobre Georgia O'Keeffe Museum

O Georgia O'Keeffe Museum segue essa estética como um meio de cumprir os aspectos de sua missão: perpetuar o legado artístico de Georgia O'Keeffe.

 

Exibe obras da artista que compõe o seu acervo muitas das quais já foram apresentadas em exposições, galerias e museus. Com arquitetura simples e amplos espaços as paredes são sempre brancas ou cinza pérola e a sinalização é mínima sem nenhum texto de parede. A apresentação das obras segue de maneira harmoniosa  com excelente luminosidade retrata rigorosamente o carater simples, determinado e elegante da artista ser, viver e criar

Sua vida e obra foram tema do filme: Vida e Arte de Georgia O'Keeffe, com Joan Allen e Jeremy Airons
 


Sinopse

Joan Allen faz a melhor atuação da sua carreira no papel de Georgia O'Keeffe, figura ilustre da história da arte americana.

Os quadros deslumbrantes de Georgia O'Keeffe são apresentados ao longo do romance de Georgia com o carismático fotógrafo Alfred Stieglitz (interpretado por Jeremy Irons, ganhador do Oscar em 1990 por sua atuação em “O Reverso da Fortuna”), seu colapso emocional ao descobrir que Alfred era infiel, e durante sua autodescoberta em Taos, Novo México. Vida e Arte de Georgia O'Keeffe é um filme imperdível, um drama cativante, tanto para os fãs do trabalho de Georgia quanto para quem ainda não a conhece.





5 de janeiro de 2013

Manet, Velásquez, Goya, e outros em "Curiosidades"



Curiosidades

Um crítico do júri no Salão Oficial Exposição de Arte Francesa" comparou a obra Um Tocador de Pífaro, de Édouard Manet, a uma carta de baralho. Tudo por causa do fundo feito apenas com manchas de tinta e a simplificação do desenho e das cores.



Tocador de Pífaro - 1866 - Édouard Manet

Diego Velásquez pintou uma de suas obras mais conhecidas, Velha Fritando Ovos, quando tinha apenas 19 anos.



Velha fritando ovos - 1618 - Diego Velásquez

A Maja Vestida é a segunda versão feita por Francisco de Goya do quadro A Maja Despida. O artista finalizou a pintura de uma noite para a outra, ao saber que o marido da modelo, com quem tinha um caso, se encaminhava para sua casa a fim de tirar satisfações sobre o retrato da esposa sem roupa.

   
   
Maja despida - Museo del Prado - Maja vestida - Museo del Prado


No quadro Rosa e Azul (1881), que pertence ao acervo do Masp, Auguste Renoir retratou as filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers. Só recebeu o pagamento pela encomenda um anos depois. Como a família não gostou do quadro, deixou-o na área da casa reservada aos empregados. Muito tempo depois, a obra foi encontrada abandonada numa casa parisiense.



Rosa e Azul - Renoir

Em 1975, a obra Ronda Noturna, de Rembrandt, foi esfaqueada por um desempregado em Amsterdã, na Holanda.


Ronda Noturna - 1642 - Rembrandt

Há quem sustente que o Leonardo da Vinci teria pintado o quadro de Mona Lisa nua. O quadro e o esbôço nunca foram encontrados. Mona Lisa não tinha sobrancelhas. Era moda na Renascença raspá-las.




Mona Lisa - 1503/06 - Leonardo da Vinci - Museu do Louvre - Paris





3 de janeiro de 2013

Camille Claudel - Vida e Obra



Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper, nome artístico Camille Claudel, (1864/1943 - Paris) foi uma escultora francesa.

Passou toda sua infância em Villeneuve-sur-Fère, morando em um presbitério que seu avô materno havia adquirido. Segundo Paul, seu irmão, ela declarou desde cedo seu desejo de ser escultora. Camille também tinha certas premonições e previu que seu irmão se tornaria escritor e sua irmã Louise seria musicista.

Seu pai, maravilhado com seu precoce talento que, ainda na infância, produziu esculturas de ossos e esqueletos com impressionante verossimilhança, ofereceu-lhe todos os meios para desenvolver suas potencialidades, colocando-a em escolas e cursos de primeira linha. Por outro lado, sua mãe não via isso com bons olhos, colocando-se sempre contra, reagindo muitas vezes violentamente no sentido de reprovar a filha que traz incômodos e custos excessivos para a manutenção de seu capricho.

O sonho de Camille é ser uma escultora de sucesso e via essa vontade ameaçada pela mãe que acha que a educação da menina causava muitos gastos.
Em 1881 conseguiu de seu pai, amigo do escultor Boucher, a mudança da família para Paris onde se matriculou na Academia Colarossi. As mulheres não podiam frequentar a Escola de Belas Artes. Iniciou os estudos com o próprio Alfred Boucher. São desta época as duas primeiras obras conhecidas.



Paul aos treze anos - Camille Claudel


Mais tarde, Boucher se ausentou para Itália e Rodin o substituiu. A vida de Camille alterou-se profundamente. Chegou a ser seu modelo, discípula e amante.

De temperamento forte e determinada, lutou contra todos os preconceitos da sociedade dos fins do sec. XIX que nunca viria a aceitá-la como escultora e também contra sua mãe que nunca a apoiou. Com o irmão, o poeta Paul Claudel, manteve nos primeiros tempos uma relação de amizade, mas mais tarde, este viria a desprezá-la.

Era uma mulher muito bonita, de olhos azul escuro, e de grande talento. Para Rodin, um escultor buscando notoriedade e grande sedutor, isso não lhe foi indiferente. Envolveu-se com Camille numa enorme paixão, sem contudo abandonar Rose Beuret, sua companheira e modelo desde os primeiros tempos, com quem tinha um filho e com quem se viria a casar.

Rodin teve consciência logo no início da genialidade de Camille, e contratou-a para colaborar na execução das Portes de l'Enfer e no monumento Bourgeois de Calais. Foi encarregada de fazer mãos e pés o que demonstrava a confiança de Rodin no seu trabalho.



A porta do Inferno - Auguste Rodin


Em 1888 Camille passou a viver com Rodin numa casa a que chamariam o retiro pagão. Frequentavam lugares públicos e a sua vida tornou-se um escândalo. Conviveu com a sociedade intelectual e artística da época.

Rodin vivia simultâneamente com Rose e Camille. E à promiscuidade amorosa, juntava-se a profissional. Era difícil saber quando a obra pertencia a um ou a outro; ou quando Rodin se apropriava do trabalho de Camille e o assinava como seu. Camille escreveu em cartas que Rodin temia o seu talento e inteligência.

Em 1892 Camille teve um aborto que a deixou profundamente abalada e impotente para convencer Rodin a abandonar Rose e casar-se com ela. Foi nessa ocasião que ela decidiu afastar-se e criou Sakuntala, escultura inspirada no conto do poeta hindu Kalidassa.

"Uma mulher grávida que procura o marido que a não reconhecerá, por ela ter perdido a insígnia que a nomeava sua rainha e assim a toma como impostora. Sakuntala retira-se em desespero e uma chama em forma de mulher levanta-a e ambas desaparecem".



Sakuntala - Camille Claudel

Outras duas obras importantes vieram a seguir e foram premiadas; A Valsa e Clotho.



A Valsa - Camille Claudel

Clotho é uma das três Moiras que determinam o destino dos homens e tem o poder de fiar a vida e cortá-la quando quiser.


  
Clotho - Camille Claudel


A seguir veio a sua fase mais produtiva, é quando estuda a arte japonesa e cria as suas melhores obras: as Bisbilhoteiras e a Onda.




A Onda - Camille Claudel

A Onda tem tido várias interpretações, mas a que me parece mais ajustada à personalidade de Camille é a referência à luta gigantesca da mulher contra os tabús, preconceitos e descriminações que ao longo dos tempos tem travado e que, como no caso de Camille, vive a ameaça e a realidade de ser dominada e destruída.

Em todos os momentos existe sempre o dedo de Rodin; será sempre por seu intermédio que obtém encomendas, e será também através dele o reconhecimento das mesmas. Isso não agrada a Camille.

Em 1898 rompeu definitivamente com Rodin depois de A Idade Madura, ser recusada pela Exposição Universal de 1900. Considerada a sua obra mais autobiográfica, Rodin não gostou de se ver tão explicitamente exposto nela e conseguiu a sua rejeição.


Idade Madura - Camille Claudel - Museu d'Orsay.

Camille, nessa época com 36 anos, convenceu-se que havia um complô de Rodin contra ela. Fechou-se no seu atelier, onde se isolou, e repetia incessantemente, “o canalha do Rodin;” frase ouvida pelos vizinhos. O meio artístico, dizia, passou a pertencer ao "bando de Rodin" que a todos seduz e convence, contra ela. As suas ideias e os seus desenhos eram roubados, executados, tinham sucesso, mas não se falava no seu nome. E dizia:

“Serei perseguida por toda a minha vida pela vingança deste monstro, o perseguidor Auguste Rodin"

Camille se entrega a uma solidão obsessiva, caracterizada pela pobreza e pela ruína física e mental. Só saia às noites .A partir de 1906, arremete contra sua obra, destruindo grande parte de sua produção, numa espécie de exorcismo, como uma forma de livrar-se daquilo que ainda a vinculava ao homem amado e com a obsessiva dor do abandono, gravado em uma de suas esculturas.

Rodin tenta vê-la, mas é rechaçado, transformando-se num inimigo perseguidor, dentro do delírio paranóico de Camille.

Em 1913, por ordem de sua mãe e de seu irmão, ela é internada em um asilo de loucos em Ville-Evrard e, um ano depois, transferida para o hospital psiquiátrico de Montdevergues, que lhe dará abrigo até sua morte, trinta anos depois, mas não encerra aí a desdita de Camille. Sua mãe jamais irá visitá-la e negou-se, firmemente, a aceitar o conselho dos médicos para levá-la de volta ao lar.

Seu irmão, Paul Claudel, além de próspero, fortalece-se politicamente, ao tornar-se embaixador da França. Não obstante, se negou, em 1933, a pagar-lhe uma pensão hospitalar. Nos 30 anos de internação, Paul a visitou poucas vezes e nada fez para amenizar o sofrimento de Camille, apesar das cartas suplicantes que esta lhe enviava, narrando as condições sub-humanas em que vive.

Rodin, por sua parte, envia-lhe algum dinheiro, expõe algumas das esculturas de Camille que sobreviveram à destruição, mas nada fez para liberá-la do hospital. De toda maneira, qualquer iniciativa sua seria obstada pela mãe de Camille que o considerava culpado pela ruína e loucura de sua filha.

Camille Claudel morre em sua prisão psiquiátrica em 1943, com a idade de 78 anos. Esquecida do mundo, morre sem glória, sendo enterrada, anonimamente, em uma vala comum.

Nota:

Carta de Camille escrita no asilo para seu irmão Paul.

"... Tenho pressa de deixar este lugar... Não sei se você pretende me deixar aqui, mas é muito cruel para mim!... Dizer que a gente está tão bem em Paris e que é preciso renunciar a isso por causa das bobagens que vocês têm na cabeça... não me abandone aqui sozinha..."

A vida dramática de Camille Claudel serviu de inspiração para peça teatral e um filme com a interpretação de Gérard Depardieu, Isabelle Adjani e Madeleine Robinson e realização de Bruno Nuytten.