Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

16 de abril de 2014

A arte multicolorida do artista Alvaro Tapia Hidalgo


 
O artista e designer gráfico Alvaro Tapia Hidalgo é de Viña del Mar, Chile, mas vive em Granada, na Espanha onde também trabalha com cinema e ilustração. Suas criações apresentam retratos impressionantes, onde mistura diversas cores e formas.

Em 2000 ele começou a trabalhar em design gráfico e cinema. Ele já dirigiu dois curtas-metragens, Corte Carnicero e Cabezón Delator, e também criou uma série de obras em vídeo experimental, animação e motiongraphics.

Alvaro fundou uma agência de design em Valparaiso, Chile (2005), trabalhou como diretor de arte em uma agência de marketing em Madrid (2007), e está atualmente trabalhando com ilustração.

Ele cria suas obras principalmente com o Illustrator, e em seguida adiciona diversas texturas para dar uma sensação de maior profundidade. Bem original!




















 


14 de abril de 2014

Paul Gauguin "Cristo Amarelo"


Sonolência deliciosa, Nave Nave Moe - Paul Gauguin - 1894 - Museo del Hermitage

Paul Gauguin nasceu em Paris, em 1848. Quando tinha um ano de idade, seu pai, um jornalista político, embarcou com a família para o Peru, mas morreu na viagem. Entretanto, graças as pessoas ricas conhecidas de sua mãe em Lima, Gauguin passou os sete primeiros anos de sua vida naquele país, antes de voltar à França em 1855.
 
Aos 17, Paul Gauguin entrou para a Marinha Mercante. Em seus cinco anos no mar, elevou-se ao posto de segundo-tenente, visitou o Panamá e o Pacífico, os lugares tropicais que sempre acompanharam seus pensamentos.

Em 1871, Gauguin retornou a Paris, onde trabalhou como corretor de valores. Passou a década subsequente como um respeitável homem de negócios, casando-se com uma moça dinamarquesa, com quem teve cinco filhos.

No início da década de 1870, Gauguin tornou-se um entusiasmado pintor de domingo e, em finais de 1876, já dominava suficientemente a pintura para que uma paisagem sua fosse aceita para exposição no Salão Anual Oficial. Entretanto, logo ele preferiu expor suas obras junto aos impressionistas, que eram ainda tidos como rebeldes inveterados.
 
Trabalhando arduamente durante suas horas de folga, Gauguin adotou a técnica impressionista de pintar paisagens no próprio local, utilizando pinceladas curtas de pura cor para capturar os efeitos atmosféricos. Como seus grandes contemporâneos Cézanne e Van Gogh, considerava o Impressionismo um agente liberador, embora tenha acabado por dar origem a um estilo muito diferente.


At the Pond - 1887

Gauguin, sem dúvida, querida abandonar o mundo dos negócios e tornar-se um pintor profissional. O que fica menos claro é se ele o teria feito se não fosse o colapso econômico de 1882; no mínimo, sua má sorte financeira concedeu-lhe a desculpa de que precisava para começar uma nova carreira, na idade de 35 anos, como um artista em tempo integral.

Foram então anos de dificuldades. Gauguin permaneceu por um tempo em Copenhague com sua esposa. Depois que ele partiu, os dois nunca mais voltaram a viver juntos.
 

Mette Gauguin in an Evening Dress, 1884

Em 1887, Gauguin fez sua primeira turnê artística nos trópicos, passando alguns meses no Panamá e na Martinica.
 
Forçado a voltar à França devido a malária e a pobreza, ele levou consigo telas vivas com cores novas e libertas de qualquer movimento artístico antecedente.

O progresso artístico de Gauguin foi ainda mais marcante durante suas visitas à Bretanha nos anos da década de 1880, mostrando-se, nessa época, remota e estimulantemente primitivo. Lá, ele começou a desenvolver seus estilo peculiar, com suas formas nitidamente delineadas e cores fortes. Seu estilo já estava definido em 1888, quando foi passear dois meses desastrosos em Arles em companhia de Vincent Van Gogh.
 

Night Café at Arles - 1888
 
Em 1891, Gauguin já tinha se estabelecido como um líder entre os artistas e os poetas de Paris. Porém, ainda extremamente pobre, ele tomou a surpreendente decisão de se fixar no longínquo Taiti. O mais celebrado de todos os seus quadros foi pintado nessa ilha, e as imagens de uma simplicidade incorrompidamente primitiva tiveram um grande impacto sobre a imaginação ocidental.
 
Embora Gauguin amasse as terras tropicais, a vida continuava dura, e em 1893 ele retornou a Paris, na esperança de que suas telas taitianas viessem a ser uma sensação e, por fim, trouxessem-lhe fama e segurança.
 

Adonde vas?, Ea haere ia oe? Paul Gaugui - 1893 - Museu del Hermitage

Após dois anos de decepções, Gauguin voltou para o Taiti, Já estava então doente, e seu mal foi agravado por uma condição sifilítica não-diagnosticada. Hospitalizado com muita frequência, engajava-se em trabalhos braçais e às vezes na política e no jornalismo locais. Sua produção artística era irregular; ainda assim, neste período produziu alguns de seus melhores quadros.

Em 1901, Gauguin retirou-se definitivamente da civilização que o intimidava, estabelecendo-se nas Ilhas Marquesas. Seu prazer nesse novo paraíso foi rapidamente estragado por sérios conflitos com as autoridades locais. Ele ainda estava recorrendo contra uma sentença de três meses por crime de difamação quando sua vida turbulenta foi definitivamente cortada por um ataque cardíaco, em 1903.
 

Duas mulheres tahitianas - Paul Gauguin - 1899 -  Metropolitan Museum
 
 
Autorretrato para o amigo Carriere - Paul Gauguin - 1886 - National Gallery (Washington)

A mais polêmica e uma das mais famosas de suas obras data de 1889, "O Cristo Amarelo". Nela, o artista retrata o calvário de uma aldeia perto de Pont-Aven, rodeado de bretões curiosamente representados.

A paisagem da Bretanha, sob o pincel de Gauguin torna-se mais colorida: o Cristo e a paisagem são amarelos e as copas das árvores avermelhadas. As cores se estendem planas e puras sobre a superfície quase decorativamente e seu uso arbitrário opõe-se a qualquer naturalismo.

Gauguin pintou muitos auto-retratos, nesse o rosto de Cristo tem sua fisionomia.
 

O "Cristo Amarelo" - Paul Gauguin - 1889 

Conversa informal

Como grande admiradora de seu trabalho fiz uma representação de o "Cristo Amarelo" e coloco a disposição para apreciação do leitor do Blog.


"Cristo Amarelo com Girassol"  - Aline Hannun



 




11 de abril de 2014

Praça Victor Civita recebe o festival Prototype

A Praça Victor Civita em S.P., local reconhecido por ser histórico e com ideias de readequação do espaço urbano por meio de iniciativas sustentáveis recebe nos dias 12 e 13 de abril p PROTOTYPE - Festival de Sustentabilidade na Arte

Praça Victor Civita recebe o festival Prototype :: sustentabilidade na arte

Por meio de manifestações artísticas inusitadas e surpreendentes, o Prototype procura incorporar a prática da sustentabilidade no nosso cotidiano. Entre as ações de incentivo à “economia verde”, o festival se esforça para ser auto-suficiente em termos energéticos, utilizando somente energia provida por pedaladas de bicicleta: a bike-geradora. Todas as atividades que acontecem durante o Prototype têm como desafio utilizar o mínimo de energia elétrica para sua realização.



Confira a programação:

O Piquenique coletivo no deck da Praça vai ser uma ótima chance de juntar os amigos, as crianças, e valorizar uma vida mais saudável, sustentável e feliz. Para ambientar o local, coletivos que organizam festas de rua vão se apresentar: Metanol na Rua, Pilantragi e Saloon das Minas, Barulho, além do DJ ambulante Chico Tchello. O coletivo Chippanze.org faz som com videogames transformados em controladores musicais eletrônicos.

Um dos destaques do festival é a escultura do artista Jum Nakao no centro da Praça Victor Civita, criada especialmente para o evento. A escultura se inspira na ideia da fonte e provoca no público a experiência de mergulho em sentimentos antagônicos. Outra atração é a instalação sonora participativa “Fruta faz música” dos artistas berlinenses Jan Brokof e Gregor Knüppel. A instalação funciona com uma bateria composta por frutos cítricos, que precisam ser constantemente trocados pelo público para continuar gerando seu som.



Atividades com os coletivos urbanos Ogangorra, Rios e Ruas, Horta das corujas, Ciclomídia e A batata precisa de você também marcam o Festival. Cada coletivo irá propor atividades e intervenções que relacionam sustentabilidade e arte. Oficinas de horta urbana, bike party e outras intervenções acontecerão ao longo do festival, que também propicia o intercâmbio entre esses coletivos e o público, oferecendo-se como plataforma para suas iniciativas.

O Prototype chamou o coletivo CRU, que vai mostrar como explorar todas as potencialidades de uma bike, ativando um cinema através de pedaladas. Afinal, a bicicleta é meio de transporte, esporte, lazer, mas, com a participação de todos também pode ser fonte de energia limpa e renovável. Serão exibidos curtas-metragens, como a série “Senha Verde”.
 
 
O Festival vai expor obras feitas por alunos do CEU Jaguaré como resultado de oficinas ministradas na semana anterior. Uma escultura chamada “Homem de Lixo” feita de material descartado é a proposta do grupo Urban Trash Art, dos artistas Rodrigo Machado e Pado de São Paulo. Questionando o consumo e tendo como matéria-prima o lixo, os jovens reutilizam de forma criativa esses materiais, dando forma a um ser humano. http://urbantrashart.blogspot.com.br. Também a dupla 44Flavours dos berlinenses Julio Rölle e Sebastian Bagge vai atrás de objetos antigos e sem utilização que guardam histórias curiosas, assim como os abrigos desses objetos. A atividade tem relação com a ideia de upcycling, ou seja, criar uma nova história para os objetos, valorizando-os. Ação e reação, intuição e experimento fazem a obra acontecer. http://www.44flavours.com

Para quem busca discutir sobre as interfaces entre arte e sustentabilidade, o Prototype terá discussões em diversos formatos com coletivos do Festival e pensadores como Claudia Mattos e Marcos Nobre. Estão previstas apresentações de projetos inovadores, como o do artista e empreendedor alemão Pablo Wendel, fundador da empresa Performance Electrics. A empresa fornece energia elétrica gerada pela arte, a chamada Kunststrom, incluída na rede pública de energia eléctrica da Alemanha. Museus, coleções de arte, festivais, assim como residências utilizam energia da Kunststrom.

Para mais detalhes da programação do festival acesse:
 
 
 
 
 
 
 
 

9 de abril de 2014

Grupo doa R$ 780 milhões para salvar acervo de museu em Detroit



Fachada do Instituto de Artes de Detroit, que tem o acervo classificado entre os seis melhores dos Estados Unidos e é um dos locais que resiste à crise em que a cidade se encontra.

 
O juiz Gerald Rosen, encarregado de supervisar o processo de falência de Detroit, em Michigan, EUA, divulgou recentemente que um grupo de fundações e milionários entraram em acordo para doar US$ 330 milhões (cerca de R$ 780 milhões) para salvar a coleção do Instituto de Arte da cidade.

Desde que a cidade pediu falência no ano passado (aceita em dezembro pela Justiça), credores têm olhado para o acervo. Apesar de apenas 5% do seu conjunto pertencer à municipalidade, é forte a pressão para que todas as obras sejam vendidas para ajudar a reerguer a cidade.

Uma equipe da casa de leilões nova-iorquina Christie's avaliou 2.773 das 66 mil peças da coleção. A soma ficou em US$ 867 milhões (mais de R$ 2 bilhões). As dívidas de Detroit somam cerca de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 59 bilhões).


À esq., autorretrato de Van Gogh (1887); funcionária aponta para 'Retrato do Carteiro Roulin' (1888), também do pintor, no Instituto de Artes de Detroit.


Matisse


Picasso


Cézanne


O Gado, Candido Portinari 


Como consequência, artistas ocupam quarteirões abandonados em Detroit 

A primeira impressão que o visitante tem de Detroit é de desolação. Quarteirões inteiros de casas abandonadas, semidestruídas, incendiadas.

Há, porém, os que reagem, como o artista Tyree Guyton, 58, fundador do Heidelberg Project, um espaço de dois quarteirões devastados pela crise e por incêndios provocados por vândalos. Guyton e seus seguidores começaram, nos anos 80, quando a cidade já enfrentava dificuldades, a ocupar o local com instalações artísticas.

São cenas montadas a partir de sapatos, roupas, material de escritórios e consultórios, bonecos, brinquedos e até automóveis. Tudo tirado das próprias ruas de Detroit.

"A ideia é fazer as pessoas pensarem sobre esse fim do ciclo industrial. E para que possamos refletir sobre as alternativas para o futuro", diz a artista Jenenne Whitfield.

O projeto faz intercâmbio com outros relacionados à "street art" no Reino Unido, na Espanha e na Alemanha.

"Não vamos trazer o passado de volta, por isso fazer arte num momento como esse da cidade é tão importante", diz Whitfield.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

7 de abril de 2014

O Surrealismo de Salvador Dali chega ao Brasil


Foto de Salvador Dali

O melhor do artista Salvador Dalí será exposto no Brasil

Um dos maiores mestres do surrealismo, Salvador Dalí plasmou um universo único, de relógios que derretem, formigas que brotam de lugares improváveis, corpos mutantes e muito sexo. É esse Dalí, no auge de seus poderes inventivos, que estará em duas mostras no Brasil.

Depois de arrastar quase 800 mil pessoas ao Pompidou, dois anos atrás, em Paris, o artista espanhol, morto aos 84, em 1989, terá mais de cem obras, entre pinturas e gravuras do auge de sua fase surrealista, expostas a partir de maio no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, e em outubro, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Embora tenha inventado outros mundos, Dalí via todos os dias das janelas de sua casa no litoral catalão, onde pintou boa parte de suas telas, as ondas do Mediterrâneo lambendo os rochedos que saltam da água em Cadaqués, balneário na fronteira entre Espanha e França.

Tinha um espelho refletindo o mar na altura da cama, para que despertasse com os primeiros raios de sol. Dentro de casa, acumulou um zoológico de bichos empalhados, entre cisnes, bodes e ursos, além de objetos cênicos para suas telas —verdadeiros alicerces de um universo fantástico.


Imagem do espanhol Salvador Dali que estará nas exposicões dedicadas ao artista no CCBB do Rio de Janeiro e no Tomie Ohtake, em São Paulo.

Esse choque entre a realidade e o delírio parece ter sido o motor de uma produção plástica que está entre as mais importantes do século XX. "Sua obra é uma provocação, fala de magia e mistério", diz Montse Aguer, uma das curadoras da mostra, orçada em R$ 9 milhões. "São maneiras distintas de olhar para a realidade, o desejo insatisfeito do homem diante de uma beleza convulsiva."

De certa forma, Dalí estruturou sua obra em torno do desejo doentio que sentia pela mulher, Gala, que retratou como musa em muitas de suas telas e para quem chegou a comprar e reformar todo um castelo medieval nos arredores de Barcelona.


Gala

Um dos raros artistas de sua geração a conquistar fama e fortuna em vida, Dalí usou quase todo o dinheiro que ganhava com presentes extravagantes para a mulher, que aparece em algumas telas da exposição brasileira.

Mas Gala é uma presença mesmo nos quadros em que não é retratada. Num dos trabalhos mais fortes da exposição, Dalí pinta uma cama vazia, com os contornos deixados por um corpo e um formigueiro em seu lugar.

É um quadro em que ele primeiro retratou a paisagem marítima de Cadaqués, nos anos 1920, e depois, no fim da década seguinte, criou outra camada, acrescentando a cama e uma cadeira vazia no estilo surrealista que o consagraria.

"Ele usava essa paisagem como cenário, mas nela surgiam outros elementos", diz Jordi Artigas, responsável pela casa que Dalí construiu na praia a partir de antigas barracas de pescadores. "Sua paisagem vai desde algo difuso, como as planícies dessa região, a algo mais firme, concreto e menos abstrato."



Esse movimento coincide com sua ascensão ao panteão dos grandes artistas do século XX. De um impressionista tímido, Dalí se transformaria no mestre do surrealismo, um gênio excêntrico lembrado pelos olhos arregalados e bigodes indefectíveis.

"Ele foi um dos primeiros artistas a arquitetar a própria imagem e a usar isso para se promover", diz Aguer. "Fazia isso de modo sistemático."



Tanto que estrelou comerciais de carro sem saber dirigir e levou um cavalo coberto de joias até o quinto andar de um hotel em Nova York para atrair a atenção de jornalistas.

Sua cara, às vezes mais do que qualquer obra, ajuda a vender seu trabalho até agora. "O Dalí é um pintor reconhecido, o que gera demanda", diz Juan Manuel Sevillano, diretor da Fundação Gala-Salvador Dalí, que empresta obras à mostra brasileira.
 
 
Conheça um pouco mais das suas obras, assista ao vídeo.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

4 de abril de 2014

Livro "Goya à sombra das luzes" de Tzvetan Todorov



Todorov propõe um roteiro para a compreensão da obra de Goya

Tzvetan Todorov é semiólogo e historiador de origem búlgara, analisa a influência da filosofia iluminista e as consequências de uma doença na obra de Francisco Goya (1746-1828) em "Goya à Sombra das Luzes".

O pintor espanhol era um dos artistas favoritos da corte e produzia pinturas com temas bíblicos para a Igreja. Em 1792, ficou acamado por várias semanas. A doença o deixou totalmente surdo. Ao se recuperar, passou a representar temas que escapavam do convencional, como a série "Caprichos e Desastres da Guerra".
 


Três de Maio, uma das obras mais importantes do pintor espanhol, presente no acervo do Museu do Prado.
 
Todorov é professor e pesquisador do Centro de Pesquisa das Artes e da Linguagem e do Centro de Linguagem da Escola de Altos Estudos Sociais. Ele também lecionou em universidades dos EUA, como Yale, Harvard, Columbia e Califórnia-Berkeley.

"Literatura e Significação", sua tese de doutorado de 1967, foi orientada por Roland Barthes. Radicado desde os anos 1960 em Paris, adquiriu cidadania francesa em 1973. O acadêmico recebeu o prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais em 2008.

Entre outros títulos, ele assina
"Os Inimigos Íntimos da Democracia", "Análise Estrutural da Narrativa", "O Homem Desenraizado", "A Gramática do Decameron", "A Conquista da América", "Dicionário Enciclopédico das Ciências da Linguagem", "Poética da Prosa", "A Literatura em Perigo" e "O Medo dos Bárbaros".
Com tradução de Joana Angélica d'Avila Melo,
"Goya à Sombra das Luzes" chega ao Brasil pela editora Companhia das Letras. 

 
 
Quadro pintado pelo espanhol Francisco Goya (1746-1828) representa o encontro das bruxas com Satanás.


SERVIÇO

LIVRO: "GOYA À SOMBRA DAS LUZES"
 
AUTOR: Tzvetan Todorov

EDITORA: Companhia das Letras

QUANTO: R$ 39,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

2 de abril de 2014

Natividade Mística de Sandro Botticelli



Detalhe da obra

A Natividade Mística (1500-1501) é uma pintura do grande mestre renascentista italiano Sandro Botticelli, exposto na Galeria Nacional de Londres.

Botticelli construiu a imagem usando a pintura de óleo sobre tela. É sua única obra assinada e tem uma iconografia muito pouco comum para a Natividade.

A inscrição em grego no topo tem a seguinte tradução: (mantida a imprecisão da fonte)


"Esta imagem, no final do ano de 1500, nos problemas da Itália, eu Alessandro [verdadeiro nome de Botticelli], meia hora depois do tempo, pintei, de acordo com o décimo primeiro [capítulo] de São João, segundo do Apocalipse, durante o lançamento do diabo para três anos e meio, então ele ai será obrigado no [capítulo] XII e veremos [ele enterrado] como na imagem."

Na verdade, não vemos isso. Há quatro demônios menores que foram paralisados ​​com lanças; essas referências de Botticelli para o Livro do Apocalipse estão incorretas. Mas o sentido geral da inscrição é clara, e somos levados a perguntar por que o pintor da Primavera e O Nascimento de Vênus encontra-se nesse estado de espírito apocalíptico?
 

Primavera - 1478 
 
Sandro Botticelli, acreditava estar vivendo durante a Tribulação, possivelmente devido às transformações na Europa na época, e devido à previsão do Milênio de Cristo, tal como indicado no texto bíblico.


O Nascimento de Vênus - 1483 - têmpera s. tela - Galleria degli Uffizi - Florença

Tem sido sugerido que a pintura pode estar ligada a Savonarola, cuja influência aparece numa série de pinturas finais de Botticelli, embora o conteúdo da imagem possa ter sido pedido especificamente pela pessoa que a encomendou. A pintura utiliza a convenção medieval mostrando a Virgem Maria e o Menino Jesus maiores do que outras figuras à sua volta, o que certamente foi feito deliberadamente para o efeito.


Natividade Mística - 1500/1501 - óleo s canvas - 108,5 X 75 cm - National Gallery

Características da Obra

A pintura é sobre tela - normalmente Botticelli teria usado o painel de madeira - talvez por ser uma pintura com uma mensagem perigosa, a lona tinha a vantagem que poderia ser enrolada e escondida. Com a sua tela preparada esboçou um projeto detalhado sobre o papel, só depois transferido para a tela. Baseou-se em várias fontes - a dança dos anjos lembram as suas três graças da "Primavera", o diabo foi inspirado numa gravura alemã.

Raios-X mostram que muito pouco do projeto original foi alterado - só as asas de um anjo foram ajustadas e as árvores acrescentadas sobre o telhado do estábulo. Para criar a abóbada celeste, Botticelli embarcou nas práticas de ourives que tinha aprendido enquanto criança. "O simbolismo do ouro tem a ver com a natureza, imutável imaculado do céu - o ouro não deteriora, não escurece, Botticelli teria usado uma camada adesiva feita de óleo misturado com resina. - Não polido, o ouro só deu uma ajuda para tapar as irregularidades da superfície da tela. Fé, Esperança e Caridade, (os três anjos vestidos de branco, verde e vermelho) – foram escurecendo com o tempo transformando-se aos poucos em bronze. Originalmente teria sido vibrante".

Destino do Quadro

Botticelli morreu em 1510. A Natividade Mística permaneceu escondida por mais de três séculos. Roma no final do século XVIII, era muito diferente da Florença renascentista - exceto pela presença dos invasores franceses. Muitos estrangeiros saíram de
Itália, mas não um jovem inglês, William Ottley. Era um amante da arte, e rico, com uma plantação e escravos nas Caraíbas. Ele comprou muitas pinturas a um preço baixo. Na Villa Aldobrandini viu uma obra pequena, desconhecida, a Natividade Mística de Botticelli. Botticelli era, a essa altura, muito desconhecido.

Ao chegar a
Londres, a casa de Ottley tornou-se um museu privado de obras de arte italiana. Após a morte de William Ottley, Fuller-Maitland de Stansted comprou a pintura num leilão por $80. Quando a emprestou para uma Exibição de Arte em Manchester, em 1857, a pintura esteve pela primeira vez em exposição publica.

"A partir do momento em que a arte de Botticelli é mostrada ao publico em Manchester, houve uma grande mudança de opinião sobre o seu trabalho. Entre 1870 e finais de 1890, Botticelli torna-se uma figura de culto, alguém que todos os artistas da época diziam estar na linha da frente da arte que o mundo aspirava ser ideal.
Dante Gabriel Rossetti, Edward Burne-Jones adaptaram elementos de Botticelli para o seu próprio trabalho. Burne-Jones copiou algumas ilustrações de Botticelli na "Divina Comédia" de Dante para os seus próprios livros. Rossetti demonstrou a sua afeição ao trabalho de Botticelli ao comprar o auto retrato de "Esmeralda Badinelli"  em 1867."
 

A exploração de Dante do mundo espiritual mostrado em um exemplar da Divina Comédia: ao lado da entrada para o inferno, os sete terraços do Monte Purgatório e a cidade de Florença, com as esferas do Céu acima. Afresco de Michelino.

John Ruskin ajudou a dar à pintura o nome pela qual hoje é conhecida, depois de vê-la em Londres, ele se referiu a um "simbolismo místico" de Botticelli. Quando Maitland morreu, a National Gallery de Londres entrou no jogo pelo quadro. De acordo com Nicholas Penny, a Galeria "estava interessada em comprar obras da Renascença -. Anteriormente tinha como a sua principal prioridade, comprar obras que não tinham controvérsia e sobretudo porque havia um elemento de excitação de vanguarda sobre a compra de imagens como esta no século XIX." A galeria teve que pagar $1.500, sendo quase 20 vezes mais cara se a tivesse comprado 30 anos mais cedo.

Natividade não é uma daquelas obras que podem ser apreciadas através dos olhos apenas. Trata-se, no melhor sentido, de um retrato literário para ser lido e decifrado lentamente à luz de tudo o que podemos saber sobre o pintor e sua época.

Assista ao vídeo que mostra algumas das obras de Sandro Botticelli