Sobre as Sombras na Aquarela

Tudo começou com as nuvens.

A ideia surgiu da necessidade de mostrar a evolução de uma pesquisa feita sobre monocromia através da técnica da aquarela e colagem.

Foi à partir do meu olhar nas nuvens que surgiu o "momento sombras na aquarela". Após a escolha do suporte, as imagens começaram a brotar em minha mente de forma aleatória, de modo claro e objetivo, facilitando o desenvolvimento do trabalho. O fundo branco do papel, muitas vezes em destaque, realça as nuances e sobreposições das camadas, contrastando tons claros e escuros, assim como a luminosidade, algumas vezes oscilante, mais ou menos intensa, que brinca, sugerindo formas, movimentos e até mesmo sensações, destacando as características da aquarela aliada à colagem.

As inúmeras possibilidades que o tema oferece, associadas à técnica, tráz como resultado a simplicidade da proposta que, destacando a cor pura, em contraste com o papel, evidencia um grande prazer em criar.

Aline Hannun

18 de março de 2015

Exposição Cor e Estrutura de Renata Tassinari no Instituto Tomie Ohtake



Presente desde o início de sua produção, seu interesse pelos contrastes cromáticos consolidou-se como pesquisa constante, incorporando a geometria como importante elemento compositivo.
 
Exposição Cor e Estrutura

O Instituto Tomie Ohtake recebe 50 obras da colorista Renata Tassinari. São pinturas feitas de 1980 até 2013, que apresentam ao público a rica trajetória da artista paulistana, Renata toma como fio condutor a importância que o procedimento que a colagem adquiriram na formação da sua poética.
 


Renata acredita que uma tela pode receber muito mais do que tinta, o que justifica a presença de lixa, madeira, borracha, papelão e muitos outros elementos em suas obras, a partir de determinado período.
 

 
Renata iniciou sua vida artística com pinturas que mesclavam elementos figurativos com a gestualidade (característica marcante dos anos 80) e, aos poucos, abandonou tais elementos dando lugar a uma ampla pesquisa de cor que é a marca de seus trabalhos até hoje. A aplicação de lixa, madeira, borracha e papelão, bem como esmalte sintético, possibilitou a criação de diferentes relações entre a cor e o suporte. Na mostra é possível ver a evolução de seu trabalho, assim como a mudança de suas influências. 


 
Ao mesmo tempo que suas pinturas revivem a força das cores puras, elas também promovem a relação de Renata com as coisas ordinárias do mundo. É possivel perceber o dilema entre a pureza abstrata da cor e das formas geométricas junto a heterogeneidade da vida contemporânea.
 

 
Detalhes de uma das telas expostas



Renata Tassinari - 2002 - bastão a óleo sobre papel - 55x21cm
 
 
Sobre a artista
 
Renata nasceu em São Paulo em 1958. Formou-se em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP, em 1980. Paralelamente, estudou desenho e pintura no ateliê dos artistas Carlos Alberto Fajardo e Dudi Maia Rosa. Nos anos 80, realizou estampas com motivos indígenas para a Arte Nativa Aplicada - ANA.

Nos últimos anos a pintura de Renata Tassinari se transformou em um campo fértil de pesquisas e inovações. O quadro deixou de ser um elemento neutro e passou a fazer parte da estrutura da obra. A artista pinta sobre uma superfície de acrílico que, numa abordagem mais tradicional, seria parte do enquadramento de uma obra. Ao mesmo tempo, deixa a moldura de certas seções da obra cobrir apenas um papel em branco. Onde deveria haver a transparência do acrílico protetor de uma folha de desenho, passa a haver pintura e, inversamente, onde a folha de papel se deixa ver, há apenas o branco do papel que assim se transforma em cor.

De início, os procedimentos acima se desdobravam em séries que alternavam as cores acrescentadas sobre o acrílico e o branco emoldurado das folhas de desenho. Com o tempo, ela passa a tratar partes do quadro como coisas, também outras coisas poderiam ser elementos das obras. Madeiras de diferentes colorações e ranhuras, e a inversão do avesso de uma moldura de acrílico, têm sido a prática mais recorrente.

A cor sempre foi um elemento fundamental na obra da artista. Colocar cores num quadro e pelo quadro habitar o mundo com cores, essa é uma breve descrição do ela sempre buscou. Entre o mundo e o quadro - ao tratar partes da obra também como coisas do mundo, como coisas palpáveis - agora surgem relações mais próximas, e percebemos um trinômio obra/cor/mundo sempre se insinuando em seu trabalho. 
 
 
Conversa Informal:
 
Visitei a exposição de Renata Tassinari no Instituto Tomie Ohtake e fiquei encantada com a distribuição harmonica das cores usadas nas obras, a exposição apresenta telas nos tamanho grande e médio que podem ser observadas a distância. Também fui surpreendida pela qualidade dos trabalhos. O local é agradável, estacionamento com manobrista e a entrada é gratuíta. E você ainda pode aproveitar para visitar as outras exposições que se apresentam no momento. Eu recomendo! 

 
Apresentação das obras na exposição
 
 
Detalhe da obra
 
 
Serviço

Exposição Cor e Estrutura de Renata Tassinari

Quando: Até 29/03 - De terça a domingo das 11h às 20h

Quanto: Gratis

Onde: Av. Faria Lima, 201 - entrada pela Rua Cotopés - Pinheiros - SP - tel: (11) 2245-1900













 
   

11 de março de 2015

MAM Apresenta - Museu Dançante

 
Museu Dançante

O MAM, em conjunto com a São Paulo Companhia de Dança realiza a mostra Museu Dançante. A mostra acontece na Grande Sala e na Sala Paulo Figueiredo.

Como um corpo se posiciona? As artes visuais e a dança encaram o desafio comum de lidar com corpos no espaço. Para a dança, a ocupação de palcos e tablados sempre foi associada ao movimento, mas a escultura tradicionalmente trabalha com objetos parados.
 
 
Bailarino da São Paulo Companhia de Dança no MAM. Coreografia que interage com obras de arte
 
No entanto, as artes visuais ultrapassam as fronteiras estabelecidas ao produzirem obras que convidam o público a agir, abandonando a posição passiva característica da contemplação. Para explorar aspectos ligados à dança, a bailarina e diretora Inês Bogéa, da São Paulo Companhia de Dança, foi convidada para compartilhar a curadoria com o curador Felipe Chaimovich, do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Além de poder circundar a escultura, o público passa a tocar, penetrar, subir, descer, pisar, sentar, deitar etc. Essas obras criam, assim, situações de movimentação do público que transformam as exposições em locais de intensa interação corporal, para explorar aspectos ligados à dança.
 

Templo (2000) -  Franklin Cassaro
 
O desafio trazido ao museu pelas obras que levam o público a se movimentar pelo espaço motivou o convite à São Paulo Companhia de Dança para experimentar o processo de criação de coreografias no MAM. Foram selecionadas obras do acervo que contêm elementos de composição compartilhados pela dança: gravidade, desequilíbrio e flutuação. Além de esculturas, foram também selecionados desenhos, performances, instalações, fotografia e filmes que motivem o público a se mexer.

A disposição das peças na Grande Sala permite ao coreógrafo propor movimentos aos bailarinos no mesmo espaço habitado pelo público do museu. Não há palco nem plateia: o movimento do público e o do bailarino compartilham o mesmo solo, ambos motivados pelas obras lá expostas. O museu não é um lugar de repressão corporal e silêncio: para incitar o público a se ver como agente da criação artística, recebemos a São Paulo Companhia de Dança para um baile das artes.


A São Paulo Companhia de Dança foi convidada a ocupar a sala Paulo Figueiredo para uma experiência de criação de coreografias no museu. Durante alguns dias da semana, o público poderá acompanhar ao vivo o processo de trabalho de coreógrafos com os bailarinos. A experimentação poderá resultar num espetáculo ou não, pois seu foco é a vivência do cotidiano do MAM pelo corpo de baile.

Nos períodos de intervalo, serão exibidos filmes sobre a produção da São Paulo Companhia de Dança, bem como seus documentários sobre expoentes da dança no Brasil.


Conversa Informal

Estivemos na última quarta-feira, artistas do ateliê Elo das Artes e eu, visitando a exposição Museu Dançante no MAM no Parque Ibirapuera. É sempre um passeio muito agradável por se tratar de um local privilegiado, rodeado de paz e muito verde. A exposição surpreende pela simplicidade das obras apresentadas. A harmonia das obras com movimentos, em sintonia com o Corpo de Dança, traz ao expectador a oportunidade de interagir e participar com desenvoltura do que poderia ser uma simples exposição. Eu recomendo.
 
 
Artistas do Ateliê Elo das Artes observando as obras do Museu Dançante
 

 
Artistas do Ateliê Elo das Artes no Café do MAM
 
 
Serviço:
 
Exposição 'Museu Dançante"
 
Quando: Até 20/03/15 - de terça a domingo e feriados, 10h às 18h.

Onde: MAM Museu de Arte Moderna - Parque Ibirapuera, s/nº - Próximo ao Portão 3 - S.P.
Tel: (11) 5085-1300

Quanto: Entrada: R$ 6,00  - grátis aos domingos 
 
 
 
 
 





 

4 de março de 2015

Galeria Nara Roesler apresenta "Horizonte, Deserto, Tecido, Cimento" de Fabio Miguez



 
Horizonte, Deserto, Tecido, Cimento - Fabio Miguez

A Galeria Nara Roesler abre seu calendário de exposições de 2015 em SP trazendo a mostra Horizonte, Deserto, Tecido, Cimento, que engloba a nova produção de Fabio Miguez, nome consagrado da geração dos anos 1980. Um dos integrantes do antológico ateliê Casa 7 ao lado de Nuno Ramos, Rodrigo Andrade, Carlito Carvalhosa e Paulo Monteiro, Miguez traz à galeria o resultado produzido nos últimos dois anos de uma pesquisa que remonta a 2009.

A partir dessa época, o artista desenvolveu uma imagética concisa, unindo uma iconografia geométrica própria a palavras extraídas, num primeiro momento, de poesias de João Cabral de Melo Neto, entre outras fontes. "Busquei João Cabral porque suas poesias são secas, limpas, de característica substantiva. Quando as palavras são muito bonitas, podem dar um ar de mau gosto", afirma Miguez.
 

 
Na definição de Tiago Mesquita, que escreveu o texto de apresentação da mostra, "Não é por acaso que Miguez, para compor essas imagens, se valha de figuras e temas retirados das pinturas de Piero della Francesca e Henri Matisse. Da mesma forma que toma emprestadas palavras dos textos de João Cabral de Melo e Samuel Beckett. O artista elenca um repertório de fragmentos apropriados ou inventados que são sintéticos, diretos. Eles nos sugerem essa beleza que tem algo de vaga, algo de uma memória que se esvai rapidamente. É um telhado, que será um trapézio, uma diagonal, um cinza, um horizonte de partida".

De fato, o que se constata em suas telas atuais é uma destreza límpida na composição com elementos geométricos e de escrita. As formas criadas não ferem a superficialidade da pintura, que, mesmo ao oferecer perspectiva, não se insinua para além da bidimensionalidade. A aparente crueza do traço disfarça a exímia qualidade pictórica, que nesse conjunto é constituída pela sobreposição de camadas finas, parecendo esgarçar-se e permitindo o vislumbre da camada anterior.



É que nesses trabalhos, mais do que na maestria do que está visível, o sentido surge além, fora do plano. No encontro entre figuras rudimentares e a escrita substantiva e despida de floreios, o artista situa a tensão entre o que se pode visualizar e os sentidos inerentes aos signos impressos. Os elementos gráficos são reincidentes, como se o artista criasse seu próprio universo, seu léxico particular.

Mesquita define: "É como alguém que, ao te contar de um dia feliz, enumera algumas lembranças dispersas: o clima estava quente, o céu era azul, estava deitado diante de uma parede inclinada. Alguma experiência desse sujeito é contada, mas o que chega a nós são os resíduos: fragmentos soltos com pouca relação entre eles. Não temos uma dimensão íntegra do espaço recriado. Ele parece sem amarração. Como se estivesse a se dissipar e dar lugar ao deserto".
 


Assim, o espectador é surpreendido pelo hiato que subverte a visão viciada e cotidiana. Nas palavras do crítico Lorenzo Mammi, Fabio Miguez não vai "aderir a um sistema geral de comunicação, em que todo traço é signo de alguma coisa, e sim, ao contrário, fazer com que cada signo se torne traço, ou seja, participa de uma configuração da qual não faria sentido separá-lo, e que modifica ao mesmo tempo em que é modificado por ela."

Serviço:
 
Horizonte, Deserto, Tecido, Cimento - Fabio Miguez
 
Onde: Galeria Nara Roesler - Av. Europa, 655-  Jardim Europa - (11) 30632344 - (11) 3088-0593

Quando: Até 28/03/15 - segunda a sexta das 10h às19h e aos sábados das 11h às15h
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

2 de fevereiro de 2015

As exposições mais visitadas em 2014



 
Caminhando no Mar da Morte - Yayoi Kusama

A mostra da artista japonesa Yayoi Kusama, que ocupou o Instituto Tomie Ohtake, foi a que mais atraiu público no último ano.



Retrato da artista - 2013



Instalação I'm Here, But Nothing - 2000-2014

O título de exposição mais visitada em 2014 foi concorrido. Foram muitas as mostras que atraíram milhares de pessoas aos museus e centros culturais da capital, inundaram as redes sociais de selfies e exigiram paciência do público para enfrentar longas filas.

Alguns museus não contabilizam o número de visitantes por exposição, como o
Itaú Cultural e o Masp, portanto ficaram de fora da classificação. Apesar de também não constar na lista, Ópera da Lua, que ocupou o pequeno espaço do Galpão Fortes Vilaça com obras dos artistas Os Gemeos, foi responsável por levar ao local 58 000 pessoas, um número expressivo para uma galeria.

O
Instituto Tomie Ohtake ainda não contabilizou o público que passou pela mostra de Salvador Dalí, por isso não foi considerado neste levantamento.
 
Campeãs de público de 2014:

1.
Obsessão Infinita, de Yayoi Kusama, no Instituto Tomie Ohtake
 

522.000 visitantes

2. 31ª Bienal de São Paulo


472.000 visitantes

3. Castelo Rá Tim Bum, no MIS


350.000 visitantes

4. Transarquitetônica, de Henrique Oliveira, no MAC


225.000 visitantes

5.Visões na Coleção Ludwig, no CCBB


222.000 visitantes

6. Ciclo, no CCBB


191.000 visitantes

7. Ron Mueck, na Pinacoteca


155.000 visitantes

8. Mayas: Revelação de um Tempo Sem Fim, na Oca


153.000 visitantes

9. Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos, no CCBB


148.000 visitantes


A Idiota (1991) foi uma das telas expostas no CCBB 

10. Made By… Feito Por Brasilieiros, no antigo Hospital Matarazzo


120.000 visitantes
 
Conversa Informal

Quem quiser saber um pouco mais sobre a exposição campeã de visitações no ano de 2014 pode conferir a matéria do Blog de 06/06 que fala um pouco sobre a "Obsessão Infinita" de Yayoi Kusama.

 
www.alinehannun.blogspot.com.br/2014/06/yayou-kusama-no-tomie-ohtake-em-sao.html









 

26 de janeiro de 2015

Exposição Esculturas de Som por Andrea Laybauer

 















 
 
Técnica dá movimento à gotas de tinta através de música - Andrea Laybauer
 
Esculturas de Som
 
Seus olhos já viram música?
 
A nova exposição da internacionalmente premiada artista gaúcha Andrea Laybauer proporciona ao visitante uma experiência sensorial através de fotografias que representam músicas. Quando ondas sonoras se propagam através de matéria, é possível "ver" o som. Gotas de diferentes líquidos são colocadas sobre uma caixa de som no volume máximo e “dançam” conforme as vibrações sonoras emitidas, formando assim, esculturas líquidas. Enquanto isso, Andrea registra esses momentos através da macrofotografia em alta velocidade resultando em imagens impressionantes e únicas.
 
Conhecida pelas suas fotografias de gotas de água e splashes, a artista sempre teve fascínio por essa técnica, pois ela revela ao expectador um verdadeiro mundo de eventos do cotidiano que não percebemos por serem muito pequenos (alguns milímetros apenas) e/ou muito rápidos (acontecem em uma fração de segundo).
 
Vivenciar a música com o sentido da visão ao invés da audição, permite que nossa percepção sobre o mundo se expanda permitindo também que os deficientes auditivos possam ser incluídos nessa experiência visual/musical.
 
A plasticidade das imagens se deve à escolha de cores, fundos e líquidos. Foram utilizados leite, creme para as mãos, Caladryl (loção pós-sol), maisena diluída em água, silicone, mel e até sangue humano. São 12 fotografias que representam estilos musicais variados. Você verá desde o Hino Nacional Brasileiro até o velho e bom rock and roll representado por Led Zeppelin, Queen, Jimi Hendrix, Ozzy Osbourne – passando por bandas nacionais como Barão Vermelho e Titãs – e ainda os mitos Bob Marley e Michael Jackson.
 

 
Música: Hino Nacional Brasileiro - Líquido: creme para mãos e corante


 
Música: No Woman, no Cry de Bob Marley - Líquido: Caladryl (loção pós-sol)
 

 
Música: Crazy Train de Ozzy Osbourne - Líquido: leite colorido
 
No final da exposição, há uma caixa de som e alguns líquidos onde o visitante pode brincar com a técnica tendo a exata noção de como nascem as imagens apresentadas. 
 

 
Música: O Pulso dos Titãs - Líquido: sangue
 

 
Música: Whole Lotta Love do Led Zeppelin - Líquido: mel



Música: Bete Balanço do Barão Vermelho - Líquido: Caladeyl (loção pós-sol) e corantes

Conversa Informal:
 
Como admiradora que sou da arte de Andrea, venho acompanhando e registrando o seu trabalho aqui no Blog. Se você quiser conhecer um pouco mais sobre a artista e seu trabalho, leia o artigo postado no Blog em 13/03/2013.
 
 
 
Serviço:
 
Onde: Atelier Andrea Laybauer - Rua Batataes, 196 - Jardins - São Paulo - (11) 28729309
 
Quando: de 27/1 à 14/2/15, de terça a sábado das 12 às 19 horas
 
Quanto: Entrada gratuita
 
 
 
 
 
 
 

24 de novembro de 2014

HOPE Outdoor Gallery Galeria de arte ·


 
Galeria de arte urbana comunitária no Texas


Atualmente o graffiti faz parte do cenário de várias cidades mundo a fora, porém artistas que se expressam e que vivem dessa arte, muitas vezes são proibidos de pintar, às vezes são presos,e precisam se preocupar com a polícia.

Para os amantes dessa arte existe um lugar onde é possível levar seu spray em plena luz do dia, sem se preocupar com nada. É a
HOPE Outdoor Gallery (HOG) em Austin, Texas. Aberta em 2011, é um espaço modelo de como as cidades podem unir a arte urbana com o turismo. Artistas iniciantes e outros grafiteiros podem criar sem medo de ser feliz. O labirinto coberto por pixações e graffiti, tornou-se um tesouro local e um destino para artistas do mundo todo.


 
O espaço ocupa uma extensão de 1,25 hectares em Clarksville, um bairro histórico que está rapidamente se tornando um dos lugares do centro de Austin mais caros para viver. A cidade, que ganha mais de 100 novos moradores por dia, está alinhada com guindastes de construção que mal são capazes de manter-se com a explosão demográfica da cidade. Os proprietários das terras do HOG poderiam lucrar consideravelmente com qualquer outro uso pois no local não tem nada construído, apenas uma vista incrível de toda a cidade.

O local abriga graffitis e murais elaborados, tornando-se uma galeria comunitária de arte a céu aberto. Um dos primeiros a pintar um mural foi o artista Shepard Fairey. A galeria recebe uma grande variedade de visitantes, cerca de 50 por dia, durante a semana, e muitos outros aos fins de semana.



Shepard Fairey 
 
Como todo lugar tem um custo, o HOG custa aos proprietários cerca de 75 mil dólares por ano e eles têm o compromisso de manter o parque até o final de 2015, depois disso não sabem o que vai acontecer. Os donos Scull Cheatham e Ayad, estão discutindo alternativas possíveis, incluindo mudar a localização.



Por enquanto, o parque vive. E que sirva de lição para outras cidades, porque o graffiti não pode ser um incômodo. Há diversos lugares abandonados pelo mundo, que poderiam ser convertidos em espaços públicos de expressão artística,




http://hopecampaign.org

17 de novembro de 2014

Henri Matisse - The Cut-Outs no MoMA

HENRI MATISSE - THE CUT-OUTS



Matisse no Hotel Regina, em Nice - 1952 

Durante a última década de sua vida Henri Matisse utilizou poucos materiais para criar as suas obras; papel branco, guache e tesouras. Foram essas as ferramenta usadas para transformar suas obras em um mundo de plantas, animais, figuras e formas.

The Cut-Outs - Os recortes


Os recortes foram criados em fases distintas. Com a ajuda de seus assistentes, Matisse pintou o papel com a guache para depois cortar formas e fazer uma composição. Nas composições menores o artista trabalhou diretamente em uma placa com pinos e para as composições maiores Matisse orientou seus assistentes de estúdio para organizá-las na parede de seu ateliê. Posteriormente, os cut-outs foram montados de forma permanente, tanto no estúdio como em Paris por montadores profissionais.

 
Matisse na frente de papéis pintados a guache - Hotel Regina, Nice. 

As cores nos recortes de Matisse foram produzidas usando a guache opaca, de secagem rápida  e à base de água, composta de pigmentos, aglutinantes, e muitas vezes um pigmento branco para aumentar a opacidade. Dessa forma Matisse adquiriu uma ampla gama de cores. Seus assistentes cortavam folhas retangulares de papel de grandes rolos. A guache, diluída com água, era aplicada no papel e depois penderados para secar. Alguns pedaços tiveram uma aplicação mais densa onde as pinceladas se tornam mais visíveis.




Periquito e a Sereia - Matisse no Hotel Regina, em Nice.

O Corte


Quando Matisse estava trabalhando em um projeto específico, primeiro espalhava os papéis coloridos no chão do seu estúdio para depois fazer a composição da obra. Ele cortava as folhas fazendo formas e deixando o restante jogado no chão, na maioria das vezes seus cortes eram suaves e contínuos. Embora Matisse tenha sido filmado usando tesoura grande, um exame aprofundado dos seus recortes mostram que ele usava uma grande variedade de tamanhos. As estrelas que aparecem em muitas de suas obras, foram cortadas a partir de muitas formas menores, que foram montadas para criar a forma final desejada. Em alguns casos, as formas se sobrepõem, em outras, grandes formas foram cobertas por outras formas.  O objetivo final do artista não era o contorno das formas e sim a estrutura em camadas.




Jacqueline Duhême assistente de estúdio com A Árvore da Vida - 1949

Fixando 


Matisse usou pinos, tachinhas e garras finas para garantir a fixação dos suportes das obras cut-outs, para os pequenos formatos o artista trabalhava sentado em uma cadeira ou na cama com a placa apoiada em suas pernas. Conforme as composições foram crescendo de tamanho, as paredes do estúdio se tornaram os suportes para os recortes fixados com martelo por sua assistente, seguindo as orientações do artista. Este método permitiu a fixação rápida e fácil e os recortes poderiam ser alterados e remodelados sem dificuldades. Os inúmeros furos que permanecem nos recortes atestam estas montagens iniciais e seus reposicionamentos.





Vista da instalação de Henri Matisse: Papiers Découpés, Galerie Berggruen et Cie, Paris, 1953 

Montagem


Até 1950-51 as obras de Matisse foram de dimensões modestas e montadas em seu próprio estúdio por seus assistente sob a sua orientação. As obras vendidas antes desta data foram montadas com uma técnica chamada "colagem por pontos", as formas de corte foram fixadas no papel com pequenas pinceladas de cola. A técnica permitiu que as obras fossem moldadas e transportadas mantendo a mesma vivacidade tridimensional que tinham quando fixada a uma placa ou na parede.

Em 1952 Matisse foi contratado pela empresa de artigos de arte e restauração parisiense de Lucien Lefebvre-Foinet através de Marc Chagall. Esta empresa adaptou um processo de pintura tradicional para as necessidades específicas de montagem das obras de Matisse. A maior preocupação do artista era com a preservação a longo prazo de seus recortes. A vantagem desta técnica, o cut-outs, era que, mesmo montadas em grandes dimensões, poderiam ser armazenadas com segurança, emolduradas, e transportadas. Como as pinturas a guache poderiam sofrer danos com qualquer contato físico, Matisse queria suas obras protegidas com vidro. O inconveniente deste processo foi que os recortes perderam a dimensionalidade que tinham quando preso às paredes do estúdio. A idéia de que obras em papel poderiam permanecer em perfeito estado durante um longo tempo não era concebível no momento da criação das cut-outs.




Os recortes - Henri Matisse - Tate Modern.  

Estabilidade e Deterioração

Atualmente ,quando um espectador está à frente de um cut-out de Matisse, ele pode perceber que determinadas cores se mantiveram intactas enquanto outras sofreram agressões da luz devido às suas composições. Na cor de laranja, por exemplo, existe uma boa estabilidade. Matisse tinha consciencia de que algumas cores eram instáveis. Chegou a presenciar as cores rosa e violeta desaparecerem de alguns recortes em seu próprio estúdio.





O estúdio Red - 1911 - Óleo sobre tela - Museu de Arte Moderna de Nova York.



Jinx de Poésies - 1930–32 - Água-forte - The Museum of Modern Art, New York.

 

O Colar - 1950 - Tinta sobre papel - Museu de Arte Moderna de Nova York.

Cor e Linha


Ao longo de sua carreira, Matisse procurou uma forma de unir os elementos, formas de cores e linhas. Por um lado, ele era conhecido como colorista mestre e sua paleta de cores lhe valeu o título de uma "fera" ou "fauve".
Na primeira década do século XX ocorreu o chamado "período de Nice". Na década de 1920, o artista seguiu um curso que descreveu como "a construção por meio de cor". Por outro lado, ele era um desenhista mestre, célebre pelos desenhos e gravuras que descreviam figuras em arabescos fluindo linhas. "Meu desenho é a tradução mais pura e direta da minha emoção", disse ele certa vez. Através dos recortes, ele finalmente foi capaz de unir estes dois segmentos de sua prática. Matisse descreveu o seu processo como "corte na cor" e "desenho com tesoura".



A Dança - 1932–33 - Óleo sobre tela.
 
Um meio para um fim

Anos antes de Matisse desenvolver o cut-outs como um meio independente, ele empregou a técnica para realizar trabalhos em outras mídias. Já em 1919, ele cortou papel na composição para a decoração para um ballet, Le Chant de Rossignol. Ao compor o mural A Dança, encomendado pelo Dr. Albert Barnes, no início dos anos 1930, ele descobriu que revestir grandes áreas com folhas de papel pintadas lhe permitiua fazer mudanças de forma mais rápidas e eficientes. Em 1937-38, ele cortou e colocou papel pintado para projetar uma segunda produção de dança, Rouge et noir. E em 1940-41, ele usou a mesma técnica para resolver a composição de mais duas pinturas. O cut-out foi desenvolvido em segredo.




 
O Periquito e a sereia - 1952 - Guache sobre papel recortado e colado, e carvão sobre papel, . Stedelijk Museum, Amsterdam.
 
Um espaço maior

Muito antes dos recortes espalhados por paredes, Matisse sonhava em criar obras em grande escala. Em 1942, comentou com o escritor Louis Aragon que ele tinha "uma crença inconsciente em uma vida futura ... algum paraíso onde iria pintar afrescos." Em 1947 reconheceu a influência da arte islâmica que, segundo ele, "sugere um maior espaço, um espaço verdadeiramente plástico". Inventou o cut-out que lhe permitiu cumprir essa ambição de fazer decorações monumentais que transcenderam os limites da pintura de cavalete.
 
Conversa informal
 
Após um período de ausência o blog retorna com a interessantíssima matéria sobre o processo de criação e execução das obras do artista Henri Matisse.
 
A idéia surguiu depois de visitar a exposição The Cut-Outs de Henri Matisse no MoMA, em NY.
 
Várias obras, rascunhos e todo o processo de criação do artista estão à disposição dos visitantes que ainda podem contar com a orientação auditiva gratuíta em vários idiomas desde o princípio até o final da exposição. É possível também assistir ao vídeo que mostra o artista e sua assistente no seu estúdio em processo de criação.
 
Uma grande quantidade de obras de diversos tamanhos ocupam as paredes de várias salas sendo que algumas delas ocupam todo o espaço disponível.
 
Posso garantir que a exposição é fantástica, digna do MoMA, um dos Museus mais famosos da Big Apple.
 
Fiquei muito satisfeita e não podia deixar de partilhar com meus leitores.